Esclarecimentos linguísticos – breve explicação

Johnny Dias[i]

Recentemente, por questões de informações deturpadas, ou obtusidade salutar, alguns apregoaram que o sufixo – ismo não poderia ter a conotação de doença, no caso em que se encontra na palavra homossexualismo, tendo em vista que o mesmo se verifica em outras palavras, tais como: cristianismo, batismo, elitismo, segue.

Posto assim, e tendo em vista que a produção intelectual é proeminente em querer retirar a ignorância, sempre questão de preguiça moral, como a denotava Theodor Adorno, sigo pelo mesmo caminho, qual seja, tentar minimizar este espectro da humanidade.

Destarte, as próprias palavras de Houaiss expõem essa produtividade com esse sufixo. Ele afirma que “o suf. -ismo foi, primeiro, us. em medicina, para designar uma intoxicação de um agente obviamente tóxico[1]: absintismo, alcoolismo, ergotismo, eterismo, hidrargirismo, iodismo” (HOUAISS, 2001). Como o despertar da ciência e dos demais ramos do conhecimento, o sufixo –ismo parece ter sido um elemento de grande contribuição para a formação de novas palavras. Houaiss ainda acrescenta que no século[2]

XIX e no sXX, seu uso se disseminou para designar movimentos sociais, ideológicos, políticos, opinativos, religiosos e personativos, através dos nomes próprios representativos, ou de nomes locativos de origem, e se chegou ao fato concreto de que potencialmente há para cada nome próprio um seu der. em –ismo (HOUAISS, 2001).

Na doutrina religiosa que encontraremos antropônimos, formados a partir do uso do nome do líder religioso, seguido do ismo, tais como: wycliffismo, doutrina do inglês John Wycliff; luciferianismo, doutrina fundado por Lucífero, bispo de Cagliari (Sardenha). Nesse caso o sufixo ismo é isocategorial, ou seja, não  muda de significado, tão somente o que se modifica é de nome próprio para nome .

Também temos o isocategorial na filosofia, por exemplo, tomismo é a doutrina teológica e filosófica de Tomas de Aquino.

Além do uso na doutrina religiosa, GINASTACIO verificou o uso em mais duzentas e sessenta e uma palavras, também significando “vício”, como em: narcotismo.

Posto assim, como acima se defendeu, o homossexualismo, dentro do manual médico, escrita assim mesmo, atentava para o caráter de doença, espécie de intoxicação, do qual, suposto, poderia se curar. Uns utilizaram choques. Hoje, lembro, existem clínicas brasileiras e outras, que prometem curar os “afetados” por esta, digamos “doença”. A promessa vem com uma dose de serviços julgados como masculinos, como pregar coisas, catar, desculpe o termo, escreta de cachorro, plantar árvore – e outras barbáries. Inclusive aqui verificamos um modelo patriarcal, tão interiorizado em nossa cultura, aquela na qual o corpo masculino deve ser massacrado, esfolado, para provar sua virilidade e, assim mesmo, masculinidade. Como? Suportar pesos, levantar mesas, a revelia de sua própria condição física, pois “ homem que é homem agüenta”. Enquanto isso, do outro lado, permanecem as fragilidade inseridas ao caráter feminino. Falácias!

Enquanto não pensarmos nossa própria condição, desejo ou coisas que tais, reforço, outros pensarão por nós, trazendo diagnósticos errados, dando mais adubo ao fértil terreno da preguiça moral e falta de ética intelectual.


[1] Devemos lembrar que até 1973 a Associação Psiquiátrica Americana entendia a homossexualidade como transtorno mental, tendo, a partir desta data, excluído de seu manual tal asseveração. Em 1983 foi retirada a apregoação Homossexulidade Ego-distõnica. Por fim, em 1990 excluiram homossexulidade como doença, diga-se CID ( Classificação Internacional de Doença)

[2] Consultar publicação de Vanderlei Gianastacio, via: http://www.usp.br/gmhp/publ/GiaA1.pdf


[i] Johnny Dias:

www.retratofeminino.com

Filósofo pela Universidade Federal de Ouro Preto

Mestrando em Educação – Universidad Del Mar- Chile

Gestor de conflitos empresariais e educacionais

Futuro líder de grupo independente Mary Kay