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> <channel><title>Eleições Hoje &#187; ser mulher</title> <atom:link href="http://www.eleicoeshoje.com.br/tag/ser-mulher/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" /><link>http://www.eleicoeshoje.com.br</link> <description></description> <lastBuildDate>Wed, 24 Apr 2013 17:40:10 +0000</lastBuildDate> <language>pt-BR</language> <sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod> <sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency> <generator>http://wordpress.org/?v=3.5.1</generator> <item><title>A exterminação de Lady Gaga e o ser-mulher</title><link>http://www.eleicoeshoje.com.br/exterminao-de-lady-gaga-sermulher/</link> <comments>http://www.eleicoeshoje.com.br/exterminao-de-lady-gaga-sermulher/#comments</comments> <pubDate>Mon, 09 Jan 2012 19:40:38 +0000</pubDate> <dc:creator>Eleiçoes Hoje</dc:creator> <category><![CDATA[Notícias]]></category> <category><![CDATA[Opinião]]></category> <category><![CDATA[feminino]]></category> <category><![CDATA[feminismo]]></category> <category><![CDATA[Lady Gaga]]></category> <category><![CDATA[ser mulher]]></category> <guid
isPermaLink="false">http://www.eleicoeshoje.com.br/?p=3416</guid> <description><![CDATA[A exterminação de Lady Gaga e o ser-mulher. Por Johnny Dias Ela já não mais esconde as feridas, nem foge do príncipe, para que ele a capture ou salve no final do conto, como se o homem fosse o responsável legal e corpóreo da mulher, seu juiz e seu algoz. Ela, Lady Gaga, e seu corpo [...]]]></description> <content:encoded><![CDATA[<p
style="text-align: justify;"><strong>A exterminação de Lady Gaga e o ser-mulher.</strong></p><p
style="text-align: justify;"><em>Por <strong>Johnny Dias</strong></em></p><p
style="text-align: justify;">Ela já não mais esconde as feridas, nem foge do príncipe, para que ele a capture ou salve no final do conto, como se o homem fosse o responsável legal e corpóreo da mulher, seu juiz e seu algoz.</p><p
style="text-align: justify;">Ela, Lady Gaga, e seu corpo materializado em sangue, <em>Bad Romance</em> ,herdeira da fiel certeza de que ela é uma mercadoria, mas se assim o for, deve-se entende-la como resultado direto da assertiva outrora proferida por Walter Benjamin, pois, ao ser mercadoria, vale mais do que por ela pagamos.</p><p
style="text-align: justify;"><a
href="http://www.eleicoeshoje.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Lady-Gaga.png"><img
class="alignleft size-medium wp-image-3418" title="Lady Gaga" src="http://www.eleicoeshoje.com.br/wp-content/uploads/2012/01/Lady-Gaga-300x300.png" alt="" width="300" height="300" /></a>Lady Gaga é um personagem, o tempo todo, no show ou fora dele. Quem esta por trás do personagem Lady Gaga?</p><p
style="text-align: justify;">Figura dúbia, não se sabe de sua sexualidade, isso porque ela não o tem, ao ter. Ela é o oposto do que apresenta. Se a querem feminina e delicada, ela grita <em>Alejandro</em> e o faz dominado em suas cordas, pisoteando-o. Caso a queira traiçoeira, mostra, por sua vez, o seu rosto super maquiado em <em>Bad Romance</em>, a espera de seu homem, espécie de subordinação ao modelo machista, que, pra salvação de sua estirpe, ela queima no final, como também para queimar o sistema patriarcal.</p><p
style="text-align: justify;">Mas, ela é sistema, ou ao menos seus roteiristas e diretores, como faz notar Márcia Tiburi, posto que a quantidade é sempre uma questão mais importante que a qualidade, e isso a rede youtube e o acesso massivo aos seus vídeos o confirma.</p><p
style="text-align: justify;">Entrementes, pensando na subsunção da qualidade pela quantidade, chegamos ao conceito nietzschiano de “desejo de rebanho”. Em vista do conceito, e se a tendência é se vestir, assim como, ouvir e assistir do mesmo que todos escutam ou assistem, por que motivo simplesmente alguns a odeiam?</p><p
style="text-align: justify;">Regressando ao raciocínio inicial, se Lady Gaga vale mais do que pagamos por ela, quais os fatos que levam alguns a odiá-la tão veemente ou restringi-la a um grupo minoritário?</p><p
style="text-align: justify;">Enquanto eu escrevia este artigo a psicanalista e gestora da Central do Trabalho, também ela amiga magistral, Ana Maria G. Moreno, alertara-me para o fato que não existe, na obra de Sigmund Freud, relato de um “ espírito” de superioridade, apenas, e tão só ele, o de inferioridade.</p><p
style="text-align: justify;">Com a mente no espírito de inferioridade se entende muito bem porque o ódio ao desempenho de  Gaga esta tão atrelado ao desejo de exterminação, como se ela fosse um inseto, e que, portanto, deve ser extinto, como um dia, não ao acaso a comparação, fizeram os nazistas com os judeus, usando inclusive,  do mesmo mecanismo dos inseticidas, a intoxicação, no caso, com gás carbônico depois Zynklon-B, este, trago à baila, utilizado originalmente para matar insetos e roedores, dai a analogia feita.</p><p
style="text-align: justify;">Ou, não menos certo, esteja TIBURI ao declarar que</p><p
style="text-align: justify;">“ o crime de Gaga aquilo que a fará com que tantos a odeiem, não será, no entanto, o feminismo sem vergonha que ela pratica como uma brincadeira em que o crime é justamente o que compensa? E, como ídolo pop, não poderá soar aos mais conservadores como um modo de rebelar as massas de mulheres subjugadas pela perversa autorização ao gozo, doa a quem doer?” ( in: <em>Crime de Lady Gaga</em>, Revista Cult)</p><p
style="text-align: justify;"><strong><span
style="text-decoration: underline;"> </span></strong><strong><span
style="text-decoration: underline;">Marry the night</span></strong></p><p
style="text-align: justify;">Sob o meu ponto de vista, contudo, é em <em>Marry the Night</em> que se fará entender aos reais motivos deste corpo morto da mulher.</p><p
style="text-align: justify;">Certamente a artista faz aquele esforço de pensamento já preconizado por Michel de Foucault, ao explanar sobre a legalidade do poder por meio do sangue. Pense, era o sangue na antiguidade que distinguia as pessoas por castas, ou mesmo sua valentia “deu o sangue pelo país”. Valia revelada pela frase sobranceira: “de sangue azul”, segregando assim aos que ela pertencia ou não.</p><p
style="text-align: justify;">Diz Foucault.</p><p
style="text-align: justify;">Foram os novos procedimentos do poder, elaborados durante a época clássica e postos em ação no século XIX, que fizeram passar nossas sociedades de uma simbólica do sangue para uma analítica da sexualidade. Não é difícil ver que, se há algo que se encontra do lado da lei, da morte, da transgressão, do simbólico e da soberania, é o sangue; a sexualidade, quanto a ela, encontra-se do lado da norma, do saber, da vida, do sentido, das disciplinas e regulamentações.” Michel de Foucault , p. 139: 1988)</p><p
style="text-align: justify;">A parte normativa, regulamenta e eugenista é que Lady Gaga ira defrontar, usando a histeria enquanto manifestação associada às mulheres e sua postura psicológica, <em>Marry the night</em> chega no hospital, como corpo aparentemente morto, sem maquiagem, em uma maca, carregada por outras mulheres. Quando se nota, tratasse de um hospital, também ele tomado só por mulheres Encarando a frívola figura da mulher mártir, ela chora, com um olhar doce e lábios trêmulos, qual Branca de Neve e seu desejo de sempre ser ajudada. Branca de Neve que também é ela filha do sangue e da neve. Sangue de uma mulher, manjedoura.</p><p
style="text-align: justify;">Ela, Marry, mostra sua não-vida como metáfora-fotografia das mulheres associadas a infantilidade pelo choro, como quem solicita socorro.</p><p
style="text-align: justify;">Parada em sua cama, dela se retira a última lembrança do seu aspecto “dona de seu corpo”, o cigarro, elemento freudiano, tão ele diretamente relacionado ao modo “night” de Marry.</p><p
style="text-align: justify;">Em sua revisão da liberdade, se verifica uma mulher-antítese, se uma agora se fragiliza na cama, a rememoração a mostra outra, maquiada, dona de seu corpo, capaz, esquecida de seu “destino de Adão de saias”</p><p
style="text-align: justify;">A retratação do quadro de histeria é feito pela cantora, como se antevê, de forma a trazer luz à escuridão conceitual de associar a histeria como falta, porque isso significaria que uma mulher histérica é aquela que é feita de uma natural ausência, referindo-se diretamente ao cunho sexual do termo. Ledo engano conceitual e massificado.</p><p
style="text-align: justify;">Esquece o homem do movimento histórico do corpo feminino, pois, se se acreditava ser a mulher a única, na <em>Era do Fogo</em> ( referência direta ao período histórico e ao  filme de mesmo nome) a responsável legal e exclusiva pela reprodução, gestação e criação do filho, isso foi mudado quando o homem tomou consciência que até mesmo para ter um filho, a mulher precisarei dele. História esta que a medicina e biologia, por sua vez, na pós-modernidade líquida, novamente muda, visto que hoje apenas com a inseminação artificial a mulher consegue engravidar, pagando pelo processo, e não mais sendo escrava do regime austero do homem-pai, como nos faz lembrar o sempre recorrente Engels.</p><p
style="text-align: justify;"><a
href="http://www.eleicoeshoje.com.br/wp-content/uploads/2012/01/lady-gaga-marry-the-night.png"><img
class="alignleft size-medium wp-image-3421" title="lady-gaga-marry-the-night" src="http://www.eleicoeshoje.com.br/wp-content/uploads/2012/01/lady-gaga-marry-the-night-300x168.png" alt="" width="300" height="168" /></a>A artista incompreendida, recorte que liga intelectuais à dor extrema, o espelho de sua incompreensão, e como em <em>A tempestade</em> de W. Shakespeare, parece ela também optar por jogar no mar toda a sua obra, salvo a proporção do <em>lócus,</em> o mar ser a banheira, e a obra seu próprio corpo.</p><p
style="text-align: justify;">Lady Gaga é a personagem dentro da personagem, e como no caso da cebola, seu centro é oco, não de vazio, mas de pura metafísica, ou, com outras palavras, ela é a natureza, em seu âmago.</p><p
style="text-align: justify;">Realismo extraordinário?</p><p
style="text-align: justify;">Na luta pelo conceito mulher, pelo ser mulher, é em <em>Marry the Night</em> que se chega a verdadeira libertação.</p><p
style="text-align: justify;">Gaga ou Marry, já não se sabe ao certo, proclama aos valores uma implosão, pois, cada um tem a sua maça envenenada, e a atualidade, quem sabe, insistirá em matar Lady Gaga, como um dia mataram nos campos nazistas, ou, ao índio Pataxó, simplesmente por não responderem ao nível de realidade repleta de <em>normose</em> ( a doença de querer ser normal demais), mas que fique a nota: sem ser um pouco malandro ou cometer a falta grave de olhar pela fechadura, e ter um pouco de ousadia, “não se faz nada direito”.</p><p
style="text-align: justify;">Quem ficar por último, por favor, apague a luz.</p><p
style="text-align: justify;"><strong>Marry The Night &#8211; The X Factor 2011 ao vivo</strong></p><p
style="text-align: justify;"><p><a
href="http://www.youtube.com/watch?v=AeT8kvmlG7I">http://www.youtube.com/watch?v=AeT8kvmlG7I</a></p></p><p
style="text-align: justify;">Este texto foi inicialmente postado na revista <a
href="http://www.revistaefato.com.br/colunista/johnny-dias/coluna/a-exterminacao-de-lady-gaga-e-o-ser-mulher" class="broken_link">É Fato.</a></p> ]]></content:encoded> <wfw:commentRss>http://www.eleicoeshoje.com.br/exterminao-de-lady-gaga-sermulher/feed/</wfw:commentRss> <slash:comments>13</slash:comments> </item> </channel> </rss>