Por Leandro Oliveira

De acordo com a representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Nadine Borges, os professores brasileiros não estão preparados para enfrentar o debate sobre a violência contra LGBT. A declaração aconteceu ontem (15) durante a realização do 9º Seminário Nacional LGBT promovido pelas Comissões de Educação e Cultura e Direitos Humanos no Congresso Nacional.

O seminário é um dos eventos da Semana Nacional Contra a Homofobia em Brasília e teve como tema “Respeito à Diversidade se Aprende na Infância”.

As críticas em relação à capacitação dos professores no enfrentamento à homofobia pautaram algumas falas do seminário. Alexandre Bortolini, coordenador-adjunto do Projeto Diversidade Sexual na Escola da Pró-Reitoria de Extensão da UFRJ, destacou também que muitos professores acabam reproduzindo no dia a dia escolar, práticas preconceituosas. Bortolini apresentou também uma pesquisa da USP mostrando que as escolas onde há maior incidência de práticas homofóbicas tendem a ter piores resultados.

Representante da UNESCO classifica como retrocesso suspensão do kit de combate a homofobia.

O Deputado Federal Jean Wyllys (PSOL-RJ), um dos organizadores do evento, também ressaltou a falta de capacitação dos professores e criticou o Governo Federal por não ter levado adiante o Programa Escola Sem Homofobia.  De acordo com ele, crianças LGBT estão desamparadas nas escolas, e os professores por vezes, devido à falta de capacitação, acabam culpando a vítima por injúrias recebidas. A representante da Unesco, Rebeca Gomes, classificou como retrocesso a suspensão do kit de combate a homofobia e defendeu a qualidade do material. De acordo com ela, 50% dos jovens gays da América do Sul já sofreram bullying homofóbico. A prática prejudica o ensino e provoca a evasão escolar.

De acordo com um levantamento feito pelo Instituto Ecos – Comunicação e Sexualidade – existe homofobia em todas as 44 escolas brasileiras pesquisadas entre 2010 e 2011. Os dados foram trazidos por Lena Franco, coordenadora do Projeto Escola Sem Homofobia. Lena ainda destacou que a percepção da homofobia é maior entre os alunos do que entre os educadores e que prática pode levar a depressão, violência e até o suicídio de estudantes LGBT.

Os dados de uma pesquisa apresentada no seminário por Miriam Abramovay, coordenadora da área de Juventude e Políticas Públicas da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), apontou que 45% dos alunos e 15% das alunas não querem ter colegas gays ou lésbicas e que o jovem brasileiro tem menos vergonha de declarar abertamente o preconceito contra LGBTs do que contra negros.

 

O respeito à diversidade como princípio norteador da Educação Brasileira.

O representante da Comissão de Educação e Cultura, Deputado Federal Newton Lima (PT-SP), defendeu que a inclusão, o respeito à diversidade e a tolerância sejam princípios norteadores da educação brasileira incluídos no Plano Nacional de Educação (PNE – PL8035/10).

A representante da Comissão de Direitos Humanos, Deputada Federal Érika Kokay (PT-DF), disse que a criança e o adolescente devem ter suas “expressões de gênero” respeitadas. Ela criticou ainda a fala do Deputado Federal Ronaldo Fonseca (PR-DF) que disse que as crianças devem ser educadas pelos pais sem que isso signifique promover a violência contra LGBT. De acordo com a Deputada Érika, quem educaria as famílias destas crianças para as diferenças?

O Deputado do Partido da República, que é pastor, ainda lamentou o fato dos evangélicos serem considerados o “inimigo número 1” dos LGBT. (Não se sabe onde ele tirou esta informação, já que o movimento LGBT não critica os evangélicos e sim os seus líderes que utilizam a religião como “arma” contra a cidadania de minorias).

Por fim, o seminário ainda contou com os depoimentos de Maria Cláudia Cabral e Marlene Xavier, do movimento “Mães pela Igualdade”, além de João Nery primeiro transexual masculino brasileiro que relatou que o seu convívio social foi reduzido por conta de insultos sofridos na época do colégio.

Fonte: Agência Câmara.