Por Emmanuel Rodrigues

Uma informação chegou a mim e me fez levantar ponto de reflexão sobre a conjuntura atual quanto à situação figurativa dos LGBT’s, assim como são tratados pela sociedade em geral: como se não bastasse ataques à sexualidade alheia por parte dos religiosos, um amigo, de uma cidade vizinha à minha, Caruaru, no Agreste pernambucano, me contou que o radialista Paulo Sobral da Rádio Cultura de Caruaru relatou que:

“Pelo menos 2.697 casais FRANGOS se casaram na Argentina quando está prestes a completar um ano da entrada em vigor da reforma na legislação que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, a primeira que ampara esse direito na América Latina, as uniões que em 60% envolveram casais de homens, concretizara-se em registro civis nas 23 províncias Argentinas e de Buenos Aires com base nos dados divulgados ontem, pela federação de lésbicas, gays, bissexuais, transexuais (LGBT)”

Escute o áudio AQUI e perceba o tom de deboche e de desdém que a notícia é dada.

Corroborando com a mentalidade do nobre “jornalista” estão as agressões fatais aos LGBT’s têm, no Brasil, uma atividade de 785% maior que nos Estados Unidos, por exemplo. No nosso amado e bravo Nordeste é ainda pior, com 43% de assassinatos do total nacional de LGBT’s vitimados fatalmente no Brasil: são estatísticas do GGB.

Um recado que poderia ficar para todos os LGBT’s e também à população geral que se importa com os direitos humanos, é que se Paulo Sobral chamasse a população negra de “macacos” estaria enquadrado na lei e iria pagar por isso; se chamasse os judeus de “sovinas” ou usasse tais preconceitos contra esse grupo social, por jurisprudência, estaria também enquadrado na lei; se chamasse as mulheres de “seres inferiores”, falando que elas deveriam “pilotar fogão” ao invés de dirigir, por exemplo, estaria incorrendo em embate com o senso comum: saberiam que ele estaria errado.

Se não posso ofender negros, judeus ou mulheres, então porque eu posso ofender gays? Se não chamo negro de “macaco”, porque posso chamar gay de “viado” ou “frango” e dar a essas palavras um tom de desdém e rebaixamento? Gay não é um ser humano menor. Nós não somos pessoas de segunda classe então não queremos ser tratados como cidadãos de segunda classe!

O que nos leva a reflexão sobre as falas do radialista Paulo Sobral é a comparação com nosso já conhecido deputado que disse “sou preconceituoso, com muito orgulho” – Ele é preconceituoso por homofobia porque ela não é crime e ser racista é; porque ser xenófobo é, normalmente, mal visto pela sociedade! Ele é um preconceituoso por que o os projetos de lei contra a homofobia afrouxaram perante pressão política e religiosa! Ele é um preconceituoso porque as palavras dele provocam manifestações de ódio contra os LGBT’s; porque ele, indiretamente, MATA, literalmente, LGBT’s!

Até onde estou sabendo, o GRGC – Grupo de Resistência Gay de Caruaru, acionará o Ministério Público contra o “ético jornalista” Paulo Sobral. Será pedida alguma retratação ou algo do tipo. É a única coisa que pode ser feita, agora. Mas retratação a quem? Deve ser a toda população, não somente aos LGBT’s, por um ato de mácula contra ela e sua consciência formativa. E retratação é muito pouco pra quem joga no solo a identidade de alguém. Tem que haver uma punição mais severa. Mas… que punição? Uma vez que o projeto de lei contra-homofobia é feito por membros de instituições que dizem suas doutrinas condenarem o “homossexualismo”, há como esperar uma punição real, efetiva, eficaz e eficiente?

E, às voltas com o PLC122, com seu arquivamento, com o PL do Paim, com a Lei Alexandre Ivo e nada sair, substancialmente, a votação e à pratica; com declarações bolsonarísticas, malafistas e, agora, paulosobralistas, a violência continua e é fomentada cada vez mais. O tempo urge! Permitam-me citar três notícias com as datas:

 11/07 – Professor gay é encontrado morto dentro de pousada em Campina Grande

 13/07 - Estudante gay de psicologia é assassinado em seu próprio apartamento em Salvador

 14/07 – Homofobia: mais um gay assassinado no Tocantins

Onze, treze, catorze, a declaração do Paulo Sobral foi dia quinze. São alguns crimes apenas.

Enquanto radialistas como Paulo Sobral continuarem se achando no direito de chamar LGBT’s de frangos , outros continuam se achando no direito de matar, destruir e aniquilar gays: esse é o Brasil sem uma lei eficaz contra as práticas homofóbicas, sejam elas quais forem.