Por Leandro Oliveira

O Partido da Social Democracia Brasileira é um dos partidos de maior destaque na política nacional. Possui 53 Deputados Federais, 10 Senadores, além de 8 governadores, sendo que 5 deles enfrentam processos na justiça. Apesar ter algumas posturas positivas em relação aos LGBT no estado de São Paulo, não apresenta o mesmo comportamento no restante do país.

O partido possui um setorial LGBT – Diversidade Tucana – que frequentemente se posiciona, mesmo em relação ao próprio partido, contra políticos homofóbicos. Caso do Deputado Federal João Campos, que mesmo sendo do PSDB foi criticado em nota pelo setorial por suas posturas.

João Campos, aliás, é um peso forte na hora do eleitor LGBT optar ou não pelo PSDB. Campos é líder da bancada evangélica e já fez diversos discursos contra a cidadania LGBT, apoiando inclusive propostas ofensivas à comunidade como a que pretendia “curar (sic.)” gays. Em novembro do ano passado o deputado propôs uma PEC que pretendia dar poderes a associações religiosas de sustar decisões do Supremo Tribunal Federal. A proposta tem como objetivo as últimas decisões do STF que têm avançado em questões relacionadas aos LGBT, metade dos deputados do PSDB assinaram a proposta. Por este motivo, João Campos ficou em segundo lugar no ranking de políticos contra a cidadania LGBT, feito pelo “Eleições Hoje”. O parlamentar perdeu apenas para Bolsonaro, mas parece disposto a alcançar a “medalha de ouro”.

Em São Paulo, o governo do PSDB criou o CADS – Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual – Um exemplo de ação em prol dos LGBT. Conta ainda com a figura de Geraldo Alckmin, que cada vez mais tem se mostrado aliado da causa aparecendo em eventos como a última Parada Gay da cidade e na II Conferência LGBT.

Vale ressaltar, entretanto que no ano passado, todos os 6 vereadores do partido na capital paulista votaram a favor do reacionário dia do orgulho hétero de Carlos Apolinário (DEM). Bom lembrar também que na cidade de Osvaldo Cruz, o vereador do PSDB Edmar Mazucato disse que preferia ter filhos galinhas a homossexuais.

Este ano, o candidato a prefeito na cidade de São Paulo, José Serra, desmarcou na última hora sua presença na parada LGBT. Na última campanha presidencial, Serra, que era candidato, recorreu a ninguém mais que Silas Malafaia para ajudá-lo na sua campanha.

Já na cidade do Rio de Janeiro, por exemplo, os vereadores do partido votaram contra a lei de Carlos Bolsonaro que pretendia proibir materiais sobre diversidade sexual nas escolas públicas do município, ao contrário da cidade de São José dos Campos, cuja proposta semelhante foi feita por um vereador do PSDB, Cristóvão Gonçalves.

Na Paraíba quem do partido colocou sua homofobia de fora, foi a vereadora Eliza Virgínia de João Pessoa que chegou a discutir com uma deputada que defendia os direitos LGBT.

Por estes motivos, deu pra perceber que o PSDB é um partido que “morde e assopra” quando o assunto é a cidadania de gays, lésbicas, bissexuais e trans. Os políticos do partido parecem não possuir uma ideologia sobre o assunto e por isso, votar no partido pode ser uma armadilha. É importante analisar bem o candidato.

Orientação de voto:

 

Saiba mais sobre a série “Eleições 2012” e orientação de voto clicando aqui.

UPDATE:

Gostaria primeiro de parabenizar a atitude do Diversidade Tucana e de outros militantes de exporem de forma democrática suas ideias e pontos de vista acerca de seu partido. Este é o principal intuito da série Eleições 2012 e o que deve ser estimulado na comunidade LGBT (e na comunidade em geral) quando o assunto é política. Discutir, com educação e sem ataques, é a melhor forma de construirmos juntos um direcionamento das ações políticas de forma mais efetiva e que venha a suprir nossas demandas.

Entretanto gostaria de expor algumas considerações:

Não existem “erros graves” na matéria, até porque a mesma não contém sequer um dado sem que contenha a sua devida fonte. O que pode conter, e aí sim concordo, são fatos que precisam de complementação, ou mesmo uma explicação. A defesa dos militantes neste sentido expondo seus pontos de vistas e contra-argumentos é essencial para a construção deste pensamento.

Em nenhum momento a matéria diminui as ações do PSDB, e sim critica os pontos negativos.  Pois são estes os pontos que devem ser revisados inclusive pela militância do partido. Afinal ninguém vai ficar “alisando o cabelo” em um momento onde as críticas são essenciais. Agora também concordo que os pontos positivos precisam ser mostrados e os foram.

No início da matéria citamos que o partido apresenta excelentes ações em prol da comunidade LGBT em São Paulo, o que foi confirmado pelo comentário do Diversidade Tucana ao falar sobre as ações de José Serra. Tirando as ações de ministro, todas as ações explicitadas foram no governo ou capital paulista. Provavelmente, e isso é lógico, existem políticos do partido tão bons quanto em outras localidades do país e é exatamente por isso que o partido não teve classificação negativa.

O candidato José Serra, aliás, em nenhum momento foi “atacado” e sim mostrado dois fatos recentes que estão relacionados a sua postura com a população LGBT. Digo recente, pois todas as críticas feitas a partidos e candidatos precisam ser vista do ponto atual.  E estão sendo feitas desta forma. É importante ver o histórico de conquistas? Sem dúvida. Mas a análise sobre o comportamento atual de candidatos e partidos em relação a LGBT é imprescindível frente aos últimos acontecimentos obscurantistas que tem permeado a política. Principalmente no tocante a um fundamentalismo desenfreado que tem tomado conta do Congresso Nacional.

Por fim, em relação ao dia do orgulho hétero, houve uma votação e esta teve repercussão negativa internacional. Parabenizo o fato de que a principal voz contra a aprovação “simbólica” tenha sido do PSDB e inclusive por este ter denunciado a artimanha proposta.

No mais, a série Eleições 2012 quer proporcionar exatamente isso: Um debate político pela ótica LGBT, que não seja permeado por ataques e nem por defesas de partidos. Afinal, o foco principal de todos é luta contra a homofobia e a extensão de direitos a população LGBT.