Post especial de Dia das Mães

Por Leandro Oliveira

A relação entre mães e filhos homossexuais ainda é um tema delicado para a discussão. Apesar da evolução no debate em relação aos direitos LGBT, o preconceito dentro de casa ainda é uma das piores formas de homofobia vividas por um homossexual. Em 2009, o filme feito para a televisão Orações para Bobby (Prayers for Bobby), tratava exatamente desta relação.

A história é baseada em um livro homônimo, que por sua vez foi baseado nas inúmeras histórias de mães e pais de LGBT. No filme, a mãe de Bobby é uma cristã ultraconservadora que ao descobrir a homossexualidade do filho, passa a submetê-lo a diversas terapias de cura. Não aguentando a pressão, Bobby se suicida, o que acaba causando um sentimento de culpa em sua mãe, que passa a pesquisar mais sobre a sexualidade do filho e a questionar o ódio que as religiões direcionam aos homossexuais.

Uma história parecida foi tema do documentário, também americano, “Porque a Bíblia me diz assim”.

No Brasil, um grupo de mães de homossexuais decidiu se organizar e defender seu amor aos seus filhos LGBT. O grupo “Mães pela Igualdade” luta contra a homofobia e serve de exemplo para milhares de mães pelo Brasil que estão lidando com o assunto. Atualmente, elas estão com uma exposição de fotos na cidade do Rio de Janeiro.

Outra mãe que se destaca na luta contra a homofobia é Edith Modesto, precursora do movimento de apoio a pais e mães de homossexuais no Brasil, ela fundou em 1997 o GPH (Grupo de Pais de Homossexuais), e ajuda centenas de pessoas a entenderem e aceitarem seus filhos ao redor do país.

Por isto, nesta data tão importante, nada melhor que estreitar os laços entre mães e pais com seus filhos homossexuais. Assista a um filme com ela, conversem sobre o assunto, ou mesmo indique este post.

Abaixo, a transcrição e a cena do filme “Orações para Bobby”, onde a mãe de Bobby discursa sobre a relação com o seu filho e sua ignorância em relação à LGBT.

A homossexualidade é um pecado. Os homossexuais estão condenados a passar a eternidade no inferno. Se quisessem mudar, poderiam ser curados de seus hábitos malignos. Se desviassem da tentação, poderiam ser normais de novo. Se ao menos eles tentassem, e tentassem com mais afinco, talvez isso funcionasse.

Estas foram as coisas que e disse ao meu filho, Bobby, quando descobri que ele era gay. Quando ele me disse que era homossexual, meu mundo desmoronou. Eu fiz tudo o que pude para curá-lo de sua doença. Há oito meses, meu filho pulou de um viaduto e se matou.

Eu me arrependo profundamente da minha falta de conhecimento sobre gays e lésbicas. Vejo que tudo que me ensinaram e disseram era odioso e desumano. Se eu tivesse investigado além do que me disseram, se eu tivesse simplesmente ouvido o meu filho quando ele me abriu o coração, não estaria aqui hoje, com vocês, cheia de arrependimento.

Eu acredito que Deus estava contente com o espírito gentil e amável do Bobby. Aos olhos de Deus, gentileza e amor é tudo o que importa.

Eu não sabia que, cada vez que eu ecoava a condenação eterna aos gays, cada vez que eu me referia ao Bobby como doente, pervertido e perigoso às nossas crianças, a sua autoestima, os seus próprios valores, estavam sendo destruídos. E finalmente, seu espírito se quebrou para além de qualquer conserto.

Não era o desejo de Deus que Bobby se debruçasse sobre o muro de uma ponte e pulasse diretamente na frente de um caminhão de dezoito rodas que o matou instantaneamente. A morte de Bobby foi resultado direto da ignorância e do medo dos seus pais quanto à palavra “gay”.

Ele queria ser escritor. Suas esperanças e sonhos não deviam ter sido tirados dele, mas foram.

Há crianças, como o Bobby, sentadas nas suas congregações. Desconhecidas de vocês, elas estarão escutando, enquanto vocês ecoam “Amém”. E isso depressa silenciará as suas preces. As suas preces a Deus, por compreensão, aceitação e pelo amor de vocês. Mas o seu ódio, medo e ignorância da palavra “gay” irão silenciar essas preces.

Por isso, antes de ecoarem “Amém”, na sua casa e local de adoração, pensem. Pensem e lembrem-se: Uma criança esta ouvindo.