Tal barbárie causou uma comoção nacional. A imagem de um animal sendo sacrificado em nome da crueldade humana (talvez, a única forma de crueldade existente na natureza), com a agravante de este ato de boçalidade extrema ter sido presenciada por uma criança, resta-se gravada até mesmo no subconsciente daqueles que (como eu) não tiveram coragem de assistir a este documento comprovante da miséria humana.Entretanto, este fato nos revela um outro elemento indicativo da miserabilidade afetiva que parece ser a marca das sociedades “civilizadas” neste Terceiro Milênio. A estupidez bárbara perpetrada contra um cão conseguiu causar mais comoção do que as mortes igualmente cruéis de centenas de homossexuais em todas as partes deste país.
É necessário esclarecer que nada tenho contra as medidas que visam a proteger outros seres que habitam este planeta e que, portanto, têm tanto direito à vida como nós, “homos (nem tão) sapiens”. Em meus tempos de acadêmico de direito, cheguei a propor, em um debate sobre Direito Penal, a criação dos tipos “Morte de animais” e “Lesão corporal em animais”, na medida em que, ao que me consta, animal também possui uma vida e um corpo.
Porém, enquanto há pessoas engajadas na luta pelo endurecimento da punição aos energúmenos que se julgam no direito de exterminar as formas de vida mais frágeis, muitos não querem o aumento da punição para crimes motivados por homofobia.
Quando o jovem ALEXANDRE IVO perdeu a vida nas mãos de assassinos cruéis, por exemplo, não só não houve tanta repercussão, como chegaram até a criar comunidades em redes sociais comemorando o feito. Afinal, era “menos um viado no mundo”
Esta impressão geral foi corroborada nesta mesma semana, em que a morte de um outro garoto de 14 anos, desta vez no interior de São Paulo, com requintes de crueldade que nos apontam para mais um caso de homofobia no país, foi ofuscada pelo ato bárbaro envolvendo um animal.
Não tenho dúvidas de que uma lei que vise à aumentar a pena ou criar tipos penais mais rígidos para se combater a violência contra animais seria aprovada facilmente pelo Congresso Nacional. Enquanto isso, o projeto de lei que cria o crime de homofobia, PLC122, ainda “patina” no Senado. E nem mesmo a constante presença da Srª Angélica Ivo, mãe de Alexandre, às sessões em que a matéria é discutida tem sensibilizado aqueles Senadores que ainda pensam (ou fingem pensar) não existir homofobia no Brasil.
Mas este descaso do Congresso com a vida humana é um mero reflexo da boçalidade social ainda vigente neste país. Em uma pesquisa realizada em meados de junho/julho de 2011, constatou-se que o homem médio brasileiro choca-se mais com a cena de dois homens se beijando do que com a cena de um espancamento motivada por preconceito de orientação sexual. Dessarte, o que esperar de um país que se escandaliza com amor e que aceita a barbárie.
Por esta razão, não acredito em toda esta indignação social causada pela morte do cachorrinho. Penso que quem não respeita ou protege TODAS AS FORMAS DE VIDA, não terá credencial para sair em defesa de nenhuma, por mais que esta seja mais frágil. Além disso, se não cuidamos daqueles que são de nossa própria espécie, só posso considerar COMOÇÃO HIPÓCRITA toda esta revolta em torno da barbárie praticada com o cão.
Enquanto homossexual, só posso mandar um recado à sociedade brasileira: não somos cães, mas merecemos respeito.







Todas as formas de vida devem ser respeitadas.
Uma vida é uma vida, humana ou não.
O sofrimento é o mesmo, embora concorde 100% que os assassínios motivados pela homofobia são descaradamente omitidos pela grande mídia.
Um crime não exclui o outro, precisamos de leis severas para ambos os casos.
As pessoas só se preocupam com os cachorros porque são “fofinhos”, pouco se importam com a dor de outros menos “bonitinho”.
Eu como vegetariana vejo isso, defendem tanto que um cachorro sente dor, mas quando amplia o grupo de seres capazes de sentirem dor, fecham os olhos, chamam de besteira pra baixo.
Com meus 19 anos percebi que as pessoas não se importam com ninguém além delas mesma, só defendem um cachorro por este servir de brinquedo.
Pra que vão defender as “aberrações” da sociedade que se sentem felizes ao lado de alguém do mesmo sexo.
Às vezes simplesmente tenho vontade de jogar tudo pro alto e ligar o foda-se, não importa o quanto tente, parece que as pessoas só pioram. E o pior, têm prazer de fazer mal aos outros.
As pessoas querem robos na sociedade, onde todos sentem e pensam igual.
Tantos anos de evolução para as pessoas se comportarem como se ainda estivesse na idade média.
Cara, o seu texto é ótimo, oportuno e lúcido! Parabéns! Tomara que seu (nosso) clamor seja ouvido, nós seres vivos precisamos de respeito!
Tanto a violência contra animais como a contra LGBTs são absolutamente reprováveis e mostram o nível de violência da sociedade em que vivemos.
Ao contrário da violência contra LGBTs, não conheço nenhum grupo organizado que pregue e/ou concretize a violência contra os animais deliberadamente, nem grupos políticos e religiosos que lutam para a não redução da mesma. Todos se mobilizam contra a violência animal, e isto é bom, exceto os adoradores e praticantes de rodeios que fingem não ver, praticar violencia contra cavalos, touros e até bezerros!
Já a violência contra LGBTs está aí, para todos verem e, sim, não obtém a mesma visibilidade, ao contrário, grupos organizados se manifestam pelo direito de praticá-la!
Entendo a manifestação de All Moon. Não é de hoje que ouvimos que não valemos mais que animais e do que bandidos, que devíamos todos morrer, que somos abominação, que somos contra as leis da natureza, etc…