Por Karla Joyce
Assine a Petição

Calma, pessoal: não virei homofóbica, muito menos enlouqueci!

É apenas um desabafo que faço, em tom de conclusão, para demonstrar minha indignação a respeito da falta de informações e das inverdades ditas por vários preconceituosos na última semana a respeito de um kit de combate à homofobia em ambiente escolar, produzido por entidades da sociedade civil e do MEC – Ministério da Educação.

Toda uma polêmica foi criada em torno do assunto nos últimos dias e ganharam as bocas daqueles que são inimigos da diversidade sexual. Não está sabendo do assunto? Então, sente aí que lá vem história. E você entenderá porque eu repudio esse tal “kit gay”.

Onde tudo começou?

O assunto começou a ganhar visibilidade da pior forma possível e de uma maneira invertida (a informação distorcida vindo à tona), como muitos assuntos da temática LGBT são tratados.

No dia 23/11/2010, foi realizado o seminário “Escola Sem Homofobia” na Câmara dos Deputados, proposto pelas Comissões de Direitos Humanos e Minorias, Legislação Participativa e Educação e Cultura. Até aí, tudo bem. Afinal, era mais um seminário (dos vários que foram feitos na Câmara) para demonstrar o que já sabemos em relação às escolas públicas brasileiras: são ambientes bastante opressores e hostis aos jovens LGBT’s.

Porém, eis que surge o deputado federal Jair Bolsonaro, do Partido Progressista do Estado do Rio de Janeiro, nessa história. No dia 30/11/2010, o deputado fez um discurso nas etapas iniciais da sessão plenária da Câmara. Quem tiver paciência (eu não tive), que veja na íntegra que ele falou:

Bom, talvez você que leia este texto pode estar com preguiça e/ou nojo de ver este vídeo. Farei alguns destaques do discurso dele para você:

“Atenção, pais de alunos de 7, 8, 9 e 10 anos, da rede pública: no ano que vem, seus filhos vão receber na escola um kit intitulado Combate à Homofobia. Na verdade, é um estímulo ao homossexualismo, à promiscuidade. Esse kit contém DVDs com duas historinhas. Seus filhos de 7 anos vão vê-las no ano que vem, caso não tomemos uma providência agora”.

Dá para continuar discutindo esse assunto? Dá nojo!
Esses gays e lésbicas querem que nós entubemos, como exemplo de comportamento, a sua promiscuidade. Isso é uma coisa extremamente séria”.

Essa história de homofobia é uma história de cobertura para aliciar a garotada, especialmente os garotos que eles acham que têm tendências homossexuais. Está na pesquisa, publicada aqui, o número de garotos gays ou de meninas lésbicas, repito, de 7, 8, 9 e 10 anos”.

Ontem eu participei da gravação do programa da Luciana Gimenez. É um tema que… Não me agrada falar em homossexual. Eu realmente assumo o que disse na TV Câmara: se um garoto tem desvio de conduta logo jovem, ele deve ser redirecionado para o caminho certo, nem que seja com umas palmadas. Acusam-me de ser violento, mas não sou promíscuo, não sou canalha com as famílias brasileiras!” Discurso do dia 30/11/2010, em: http://verd.in/fy7

Não satisfeito, o deputado fez outros discursos nos dias 01 e 08 de dezembro, sobre o mesmo assunto. Não tenho o vídeo, mas também faço destaque de trechos.

“É lamentável que aquela Comissão (…) esteja plenamente favorável à distribuição de um kit como kit contra a homofobia, mas que, na verdade, estimula o homossexualismo nas escolas de 1º grau, que será distribuído às crianças de sete a dez anos de idade. Sr. Presidente, é lamentável que gente com esse passado, com essa opção sexual esteja influenciando no kit que será distribuído em seis mil escolas públicas do primeiro grau em todo o Brasil”. Discurso feito no dia 01/12/2010, em: http://verd.in/7bi

“Na verdade, meus companheiros, tenho certeza de que 90% do pessoal da Comissão de Educação não sabe disso. Com esse kit, em que são distribuídos alguns filmetes para garotos e garotas do primeiro grau, na verdade estimula-se o homossexualismo.
Meus companheiros, eu acho que não estou ficando maluco. Um filmete foi passado na Comissão de Direitos Humanos na semana retrasada. São três filmetes, que tratam do namoro de um garoto com outro garoto dentro da escola e vão ser entregues para os seus filhos e netos que estão no primeiro grau. Eu tenho um dos filmetes e vou colocá-lo na Internet. É um negócio triste! Esse pessoal ativamente gay está estrapolando!”

“Estive em alguns programas, como o da Luciana Gimenez, e alguns não entenderam e levaram para a galhofa. Isso é sério. Entendo até que é questão de soberania nacional.
A garotada de 7, 8, 9, 10 anos não pode ter acesso a esse filmete. Mais ainda, o Secretário André Lázaro fica exultante na Comissão, Sr. Presidente, quando diz que tem em suas mãos 58 milhões de jovens do primeiro grau que terão, ao seu lado, esse material contra a homofobia, que, na verdade, repito, é um estímulo ao homossexualismo”.

“A apresentadora do Bom Dia Brasil disse que aquela era uma questão a ser discutida em escolas. A TV Globo não está sabendo o que ocorre nesta Casa. Essa onda de querer combater a homofobia está estimulando o homossexualismo, a pederastia, a baixaria. Eu não quero isso para a minha neta, para o meu neto!Apelo a todos para que não levem para a galhofa a imoralidade que a Comissão de Direitos Humanos e Minorias está patrocinando nesta Casa. Isso, no meu entender, é o maior escândalo de que se tem conhecimento no Brasil atual. Esse é o apelo que faço a todos.
Um dos filmetes eu vou disponibilizar pela Internet; os outros… (O microfone é desligado.”)
Discurso no dia 08/12/2010, em: http://verd.in/mad

Ainda bem que o microfone foi cortado. Haja besteira para um discurso só! E o pior é que foram vários discursos. E hoje, o Deputado Paes de Lira (PTC – SP) endossou esse discurso do Bolsonaro. Ainda não tive acesso ao texto do que ele falou, mas também foi revoltante. Enfim, a melhor arma contra a ignorância é a informação.

Vamos aos fatos

Por causa desse desserviço prestado por Jair Bolsonaro, o tema ganhou na internet um apelido: “kit gay”. É um termo bastante pejorativo, que apenas resume o discurso homofóbico tratado pelo deputado e de outras pessoas, que levantam suas vozes para afirmar que “vão incentivar nossos filhos a virarem gays”, “era só o que faltava, esses gays vão ensinar nossas crianças a serem como eles”. Tópicos em muitas comunidades do Orkut foram criados para disseminar tais declarações e informações falsas a respeito do kit. Programas de TV, como o Superpop e o Programa do Ratinho, fizeram o debate em torno dessas informações erradas, reforçando mais a homofobia.

Eu mesma não sabia dessa iniciativa e resolvi procurar, depois dessa confusão toda. Descobri que o principal objetivo desse seminário foi apresentar os resultados do projeto “Escola Sem Homofobia”, cujos integrantes eram gestores do MEC e pessoas integrantes de entidades da sociedade civil. O resultado da pesquisa apenas reafirmou o resultado de uma pesquisa feita pelo MEC em 2009, cujo resultado mostra que escolas públicas são ambientes homofóbicos.

O projeto Escola sem Homofobia é um braço do programa Brasil sem Homofobia. Um grupo de trabalho foi criado para discutir a questão da homofobia em ambiente escolar. É composto por gestores do MEC (Ministério da Educação) e ONG’s como a ABGLT, Ecos Comunicação em Sexualidade, Pathfinder, Reprolatina, Galé International , entre outras. A primeira ação do grupo foi realizar uma pesquisa nacional para diagnosticar a situação das escolas públicas brasileiras no que diz respeito da homofobia.

A pesquisa foi realizada em 11 capitais: Manaus, Porto Velho, Recife, Natal, Goiânia, Cuiabá, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba. Os resultados não foram nada animadores! A seguir, vou pontuar alguns resultados dessa pesquisa que foram apresentados no seminário realizado na Câmara, apresentados por Carlos Laudari, da Pathfinder:

  • Em geral, havia desconhecimento dos conceitos, orientação sexual e identidade de gênero, conforme definidos os marcos da pesquisa. A sigla LGBT é pouco conhecida. Gênero é o jeito da pessoa, a personalidade.
  • Existe uma invisibilidade dos estudantes LGBT nas escolas. A percepção é que a quantidade de gays é muito pouca, mas é maior do que a de lésbicas. Não foi visto nenhuma travesti ou transexual nas 44 escolas analisadas. “Nunca existiu na escola um caso de gay ou lésbica, porque os alunos daqui são muito novos. É depois dos 15 anos que você vira gay.” “O homem, para diagnosticar, é mais fácil, percebemos alguma coisa.”
  • Percepção da escola como ambiente hostil. “Travestis frequentam essa escola ou não?” “Não, não, não, graças a Deus, não!” Um aluno disse isso: “Graças a Deus, não!”
  • Percepção da diversidade sexual com base nos estereótipos. “Gay a gente conhece pelo jeito de andar, a própria anatomia, porque geralmente as lésbicas não têm cintura afinada”, disse um professor.
  • O sentimento de autoridades, educadores e de estudantes em relação à pessoa LGBT variaram, em uma escala que vai de normal até estranhamento, repulsa e nojo. “Eu, quando vejo dois caras se beijando, acho supernojento”. Disse um estudante. Uma professora de Goiânia disse: “Eu não acho normal, eu não acho bonito. Eu não. Para mim não é normal. Eu acho que Deus fez o homem e a mulher. Só, só.”
  • Postura, atitudes da escola perante estudantes. Não há uma diretriz oficial. A postura da escola é tratar todos com igualdade e respeito, mas, na prática, a escola dificulta que estudantes LGBT assumam sua orientação sexual. “Se o comportamento deles fosse condizente com o dos outros normais, não haveria problema”.
  • Existe a homofobia na escola, mas, de certa forma, é negada, primeiro, pelo discurso que refuta a existência de LGBT estudantes “Não, aqui não tem estudante LGBT, então, não pode ter homofobia.”
  • A percepção da homofobia na escola é maior entre os estudantes que as autoridades. Os estudantes sabem mais que a homofobia está lá que os professores. “Teve outra vez que ele apanhou, veio à Secretaria e falou, mas não adiantou muito. Ele foi para outra escola, trocou de turma, mas não adianta, os garotos pegaram e bateram nele mesmo.”
  • A homofobia é vista como fenômeno natural. Existe uma influência religiosa importante, a culpabilidade da população LGBT.  Causa e conseqüências: “Isso é coisa do diabo”, disse um professor de Porto Velho. Acho que é um certo machismo dos homens, mas muito forte.
  • As consequências da homofobia relatadas foram: tristeza; depressão; baixa autoestima; perda de rendimento escolar; evasão escolar; violência e suicídio.

Os resultados escancararam uma realidade que muitos LGBT’s já conhecem na pele, infelizmente: a escola pública é um ambiente muito hostil à diversidade sexual, seja quanto a sua manifestação até a sua discussão. No ano de 2009, o MEC realizou uma pesquisa sobre a mesma temática. Seus resultados indicaram que “87% da comunidade – sejam alunos, pais, professores ou servidores – têm algum grau de preconceito contra homossexuais. (…) O levantamento foi realizado com base em entrevistas feitas com 18,5 mil alunos, pais, professores, diretores e funcionários, de 501 unidades de ensino de todo o país”. A pesquisa foi realizada com 18,5 mil alunos, pais profesores, diretores e funcionários sendo que foram mais de 10 mil alunos entrevistados. Desta quantidade de alunos, 2780 disseram rejeitar homossexuais como colegas de classe. Fonte: Portal MundoMais: Nota Zero e “Homofobia: O Preconceito Nas Escolas”

A forma pelo o qual o grupo de trabalho optou para combater esta realidade foi por meio da educação, com o uso de materiais didáticos para que este tema fosse abordado de forma adequada para o ambiente escolar. Dentro do seminário foi apresentada uma forma de combater essa homofobia: a construção de um material para distribuição em mais de 6 mil escolas públicas do país, inicialmente para estudantes de Ensino Médio. O grifo é proposital: é para deixar claro quem é o verdadeiro público alvo, ao contrário do que Jair Bolsonaro e Paes de Lira insistem em afirmar. De acordo com uma matéria publicada pelo Portal IG no dia 14/12/2010, o MEC afirma que o material é voltado para esses estudantes.

Segundo o jornal Correio Braziliense, foi firmado um convênio entre o MEC, com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e a ONG Comunicação em Sexualidade (Ecos) para a produção deste material. O kit é composto por vídeos, boletins e cartilhas com histórias de adolescentes homossexuais.

Esta reportagem da TV Câmara também retrata o kit contra a homofobia:


Se você estiver com preguiça de assisti-lo, vou fazer um destaque importante. Entre 1min 4seg e 1min 36seg desse vídeo existe a explicação do que é o kit, feita por Toni Reis, presidente da ABGLT:

“A partir desta pesquisa nós fizemos um kit que vai ser distribuído para 6 mil escolas de todo o Brasil. São seis informativos. São 5 vídeos que tratam da questão do que é uma lésbica, do que é uma pessoa travesti, do que é uma pessoa transexual, do que é uma pessoa gay, como se dá essa questão da homofobia, quais os problemas da homofobia.
Nós temos os manuais e o guia para o professor trabalhar isso na sala de aula de forma bastante responsável. O que nós queremos é que esse material não faça apologia à homossexualidade, mas que faça apologia à cidadania e o respeito aos direitos humanos”.

A parte que causou a maior ira dos tais deputados foram os vídeos. Tem-se conhecimento do conteúdo de três vídeos. Para eu não ser imparcial, vou transcrever as descrições dos vídeos feitas pelo Portal IG e do Correio Braziliense:

“No vídeo intitulado Encontrando Bianca, um adolescente de aproximadamente 15 anos se apresenta como José Ricardo, nome dado pelo pai, que era fã de futebol. O garoto do filme, no entanto, aparece caracterizado como uma menina, como um exemplo de uma travesti jovem. Em seu relato, o garoto conta que gosta de ser chamado de Bianca, pois é nome de sua atriz preferida e reclama que os professores insistem em chamá-lo de José Ricardo na hora da chamada”. (Em “Material didático contra homofobia mostra adolescente que virou travesti”; Correio Braziliense, 2010.

“Um adolescente que tentava gostar de futebol para agradar o pai, mas nunca conseguiu se sair bem no esporte é o pano de fundo da narrativa do curta “Encontrando Bianca”, produzido por uma empresa para o Ministério da Educação (MEC)”. (Em “Vídeo que trata de homofobia a adolescentes gera ira de deputado”; Portal IG, 2010.

“Os outros dois filminhos – que têm cerca de cinco minutos de duração – falam de outros temas relacionados à diversidade sexual. “Torpedo” conta a história de duas amigas que se apaixonam. Em uma festa, elas trocam carinhos (mãos no cabelo uma da outra, troca de olhares e sorrisos, um abraço mais carinhoso) e são fotografadas por colegas, que publicam as fotos na internet e fazem chacotas das duas. Elas decidem, então, assumir o que sentem. O vídeo termina com um abraço entre elas no pátio do colégio. Sem nenhum beijo (como descrito pelo deputado Bolsonaro).


O último, chamado de “Probabilidade”, mostra as dúvidas e conflitos vividos por um jovem de 15 anos, Leonardo. Quando se descobre vivendo o primeiro amor, o rapaz tem de mudar de cidade, por conta do trabalho do pai. Na nova morada, faz amizade com um menino que é muito atencioso com ele desde o primeiro dia de aula. Aos poucos, os dois se tornam amigos e viram alvos de piada, porque o amigo, chamado Mateus, é gay. Leonardo sabe disso, mas não se importa. Nunca houve nada entre os dois. Certo dia, eles vão a uma festa, e Mateus apresenta um primo a Leonardo. Os dois conversam a noite toda e descobrem afinidades. Na hora de ir embora, Leonardo sente vontade de beijar o rapaz e se espanta com isso, mas nada acontece. Já em casa, passa a noite pensando nos próprios sentimentos. No dia seguinte, durante a aula, observa o quanto também se sente atraído por uma amiga. Nesse instante, ele “percebe” que não quer lutar contra o que sente e acha que pode gostar de pessoas, independentemente do sexo”.
(Em “Vídeo que trata de homofobia a adolescentes gera ira de deputado”; Portal IG, 2010)

Os filmetes “Torpedo” e “Probabilidade” ainda são inéditos para o público em geral. Quem afirmar que viu todos os vídeos pode estar falando uma mentira! Mas você que lê este texto poderá conferir o vídeo “Encontrando Bianca”:


Digam-me: com o vídeo e as imagens, o que há de desrespeitoso? Nesse vídeo “Encontrando Bianca” há alguma apologia à “homossexualidade”, à “pederastia”? Você enxergou alguma mensagem subliminar incentivando a pederastia?

Todo esse material ainda está sob avaliação do MEC. E várias discussões foram e continuam sendo feitas para que este kit seja elaborado de forma responsável, sem fazer apologias ou ter cenas que possam não ser adequadas para os jovens. Assim que for aprovado, um processo de licitação do kit será realizado para que esse material seja produzido em larga escala e distribuído.

Por que repudio o termo “kit gay”?

Toda esta polêmica em torno deste kit reforça o quanto que LGBT’s são concebidos como anormais diante dessa sociedade opressora. As situações mostradas mostram que as violências (sejam elas físicas ou morais) sofridas denotam que lésbicas, gays, transexuais, travestis e transgêneros são “pragas que devem ser combatidas”, “aberrações”, “anormais”, “não são naturais” e que “qualquer violência que seja contra estes é justificável”.

Este tipo de preconceito está enraizado na sociedade brasileira, por mais hipócrita que ela seja em afirmar que não é preconceituosa. O Instituto Vox Populi divulgou uma pesquisa no dia 05/12/2010, indicando que a maioria dos brasileiros é contra a união civil entre homossexuais e a adoção para casais homossexuais.

O Vox Populi mostrou que 60% da população acredita que a união civil entre homossexuais não deveria ser permitida no Brasil. No lado oposto, encontram-se 35% que defendem o direito. Quanto a adoção de crianças por casais homossexuais, 61% entende que este direito não deve ser concedido. Ao contrário, 34% disseram que estas pessoas devem sim ter este direito.

O mais interessante é este trecho: “A pesquisa mostra que quanto mais velha é a população, menor a aceitação sobre o assunto (69% dos que tem 50 anos ou mais não aceitam a mudança). Quanto maior a escolaridade, maior também a aceitação: 44% dos quem têm ensino superior apoiam a mudança na lei – e 63% dos que estudaram até a quarta série dizem que homossexuais não podem se unir legalmente”. (Em: “População rejeita mudanças na lei sobre aborto, gays e drogas”; Portal IG, 2010;

Ou seja, a parcela mais velha de nossa população é a que tem a maior resistência no que tange aos direitos dos homossexuais. Julgam ser normal impedir que LGBT’s tenham acesso à cidadania e dos mesmos direitos que heterossexuais tem. A grande questão é como impedir que as novas gerações tenham a mesma visão distorcida que os adultos e idosos já tem a respeito de lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros? O mais sensato é dizer que isso se faz por meio da educação e da transmissão do conhecimento.

Por isto da importância do kit! É uma iniciativa que vem para discutir a questão da diversidade sexual no ambiente escolar. É mostrar para nossos jovens que é normal ser diferente. Você pode questionar: mas tem tanta coisa que a escola pública precisa (como carteiras, livros, equipamentos, etc) e por que vão se preocupar logo com isso? A minha resposta a você que faz este questionamento é que essa ação é válida sim, pois pretende a construção de uma boa educação pública que forme cidadãos capazes de lidar com as diversidades e o resgate muitas alunas e alunos que são expulsos da escola devido ao preconceito. Ou vai me dizer que o combate ao bullying também é desnecessário?

Todavia, as vozes ferozes e caricatas dos homofóbicos querem calar essas iniciativas, fazendo uso da desinformação. Querem manter os LGBT’s invisíveis, refugiados em guetos, impedidos de manifestar seu afeto (“seja gay, mas na sua casa” ou “eu tenho nojo em ver dois caras se beijando; não é natural; é imoral”) e sempre categorizá-los como “pessoas de 5ª categoria”. Eles tem medo que seu mundo seja manchado com as cores do arco íris da diversidade (por que deste medo?). Por isto que Bolsonaro, Paes de Lira e toda sua turma repudiam veementemente esta louvável iniciativa: querem que LGBT’s sejam sempre figuras marginais em nossa sociedade, sempre atrelados à promiscuidade. Por isto que pode bater em filho que esteja ficando meio gay, Bolsonaro? Ser pai é bater em filho “meio gay”, ao invés de acolhê-lo e evitar o destino que nossa sociedade homofóbica quer dar?

O termo “kit gay” foi criado para confundir as pessoas, tanto leigos quanto conhecedores do assunto, que já são carentes de informações a respeito disso. Nos comentários que vi, a primeira impressão que o termo passa às pessoas é que ele está ensinando as crianças e/ou adolescentes a virarem gays, uma apologia ao “homossexualismo” ou à promiscuidade. Todas as informações que postei aqui vem para mostrar que nada disso é verdadeiro. O kit pretende fazer uma abordagem responsável do que vem a ser a realidade do jovem LGBT, que são seres humanos e merecem respeito para viverem da forma que realmente são.

O que é nojento e imoral, Dep. Bolsonaro e você, leitora/leitor: impedir que LGBT’s tenham o direito à dignidade enquanto ser humano, ou votar a favor de um aumento de 60% no próprio salário (já elevado), no apagar das luzes na Câmara, em uma situação que o país carece de investimentos na Educação e na área de Direitos Humanos?

Querem botar arreios na força LGBT, que a cada dia cresce mais. Porém não irão conseguir. Não aceitam que um homossexual assumido chegou à Câmara dos Deputados. Por isto que digo NÃO ao “kit gay” e SIM ao kit de combate à homofobia nas escolas!

ASSINE a petição online apoiando o kit de combate à Homofobia:

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=kitsim

————————————————————————————————–

Por Eleições HoJE

Não precisamos de “educação” que controle nossa forma de ser, agir e pensar, que nos anule.

Precisamos de Educação de qualidade e que promova inclusão de todos, a favor da cidadania e respeito à diferenças de todos os brasileiros.

Diga sim ao kit. Diga sim à tolerância à diversidade.

Para ler a taquigrafia do Seminario Escola Sem Homofobia -que aconteceu em 23/11/10