Por Alex Sernambetiba
Num determinado debate virtual, um indivíduo me questionou por que eu participo de discussões na net, se, na visão dele, eu não respeito opiniões contrárias. Tirando o alto teor de dissimulação que este tipo de insinuação possui, resolvi comentar esta declaração, posto que muitos vêm cometendo o mesmo equívoco.
Ora, penso que, EM SE TRATANDO DE HOMOFOBIA OU DE SUA RELATIVIZAÇÃO, não há o que respeitar. Minha proposta nessas discussões não é respeitar ideias homofóbicas ou relativizadoras, mas DENUNCIÁ-LAS E CONFRONTÁ-LAS COM TODA A VEEMÊNCIA QUE SE ESPERA DE UM VERDADEIRO CIDADÃO LGBT. Se eu vejo alguém, LGBT ou não, tentando diminuir a homofobia cometida por alguém ou, ainda, atacando a dignidade de um ativista, quando deveríamos apoiá-lo, SEMPRE IREI TRATAR TAL MANIFESTAÇÃO COMO RELATIVIZAÇÃO DA HOMOFOBIA, DOA A QUEM DOER. Respeito e conivência são elementos totalmente distintos.
Portanto, meus queridos companheiros e companheiras de luta, O DEBATE SOBRE A HOMOFOBIA NÃO POSSUI A MESMA DINÂMICA QUE OS DEBATES SOBRE IDEOLOGIAS POLÍTICAS, POR EXEMPLO. Como bem disse um colunista, não existe, em se tratando de preconceito e de ódio por grupos sociais, o “outro lado”, porque o outro lado é simplesmente CRIMINOSO.







Caro Ricardo, você abordou uma questão que nada tinha a ver com o que propus no meu pequeno arrazoado, mas que merece também uma análise bem detalhada de nossa parte. Há, de fato, muito preconceito no nosso próprio meio contra pessoas que não tiveram a oportunidade de estudar e contra gays adeptos do que você mesmo chamou de “Teoria Queer”. Indubitavelmente, este tipo de discriminação deve ser banido do nosso meio. Num outro momento, irei abordar este tema com a devida profundidade.
No entanto, voltando à proposta de reflexão que apresentei, nem sempre o preconceito vem da forma tão clara como você expressou. Na maioria das situações, um sujeito não diz claramente que “Hitler não fez tudo o que deveria” ou que “odeia pretos”. Em muitas ocasiões, deparamo-nos com supostos “militantes” que defendem a tese de que o ativismo LGBT “pega pesado”, que os direitos dos gays não são os mais importantes e que, portanto, não podemos só votar em aliados da causa, que um ativista deve pensar no que fala para não desagradar a homofóbicos etc. Tais situações são, a meu ver, tão nocivas quanto a homofobia declarada, posto que relativizam e esvaziam a luta de homens e mulheres que são diuturnamente atacados por preconceituosos. É exatamente a este tipo de “tolerância” que abordei neste arrazoado.
Por fim, o que me levou a escrever este texto é perceber que, em alguns espaços, como bem disse o grande jurista PAULO IOTTI, há muitos que desejam ser mais democratas do que a própria democracia. Devemos sempre procurar a união entre os LGBT’s, mas certamente não a encontraremos se começarmos a respeitar em nosso meio ideias que, no frigir dos ovos, só irão prestar aos inimigos da cidadania dos homossexuais. Entre a simpatia e a eficácia, não preciso dizer qual seria a minha escolha. Um abraço
Oi, Alex! Obrigado por ter se preocupado em responder minhas colocações, achei legal.
Peço desculpas por ter fugido do seu tema, não o fiz por mal, talvez uma tentativa errada minha de ampliar o debate, onde falhei.
Evidente que eu também coloquei dois exemplos extremos de preconceito, mas não tão incomuns assim, basta a gente olhar alguns comentários deixados por aí, em sites e ou blogs, tanto por anônimos como por gente que agora está ganhando a ousadia de mostrar a cara, vide a manifestação pró-Bolsonaro no Masp -- SP, onde neonazistas não se preocuparam em esconder seus rostos, como sempre fizeram. O “Blogay”, do jornalista gay Vitor Angelo, na Folha de S.Paulo, onde há uma moderação que nem é dele, mas de funcionários da Folha, apenas para evitar palavrões, vejo constantemente ataques preconceituosos e destrutivos e eu gostaria , numa utopia, que as pessoas entendessem que não podem falar ou escrever tudo o que querem, em seus ódios, que isso é crime…
Minhas colocações não foram pessoais, não o conheço. Provavelmente já li coisas suas ou posts, sem me atentar ao autor. Quis, erroneamente e reiterando minhas desculpas, talvez fazer um desabafo num local errado , falar do que vejo tanto no mundo virtual, como dentro de ong’s LGBT’s que participo e participei, onde pessoas que poderiam colaborar acabam se afastando por encontrarem um ambiente hostil e não acolhimento. Venho do início do Grupo Somos, em 1978 e existia, na época, uma proposta de solidariedade e empatia que andava junta com a busca por conquistas em Direitos. E tinha a mesma importância. Mas, por carregar essa visão eu já fui massacrado por militantes partidaristas -- do PT principalmente -- com o argumento que “o Movimento LGBT não é de auto-ajuda”.
Vou me atentar nos meus próximos comentários à temática do post.
Obrigado e um abraço!
Ricardo
Nada disso, querido Ricardo. Não há por que se desculpar. Sua proposta, como disse, possui uma enorme relevância. Prova disso é que irei escrever um texto sobre o preconceito no nosso próprio meio neste feriadão.
Na realidade, eu é que tenho de lhe agradecer por ter trazido à luz este tipo de abordagem. Já cansei de ver preconceito, NO NOSSO PRÓPRIO METIÊ, contra gays gordos, magros demais, idosos, “efeminados” etc. E este é um problema grave que temos de extirpar da nossa militância o quanto antes.
Dessarte, vê-se que a sua postagem não foi incoveniente: foi INPIRADORA. Um forte abraço, companheiro.
Seu artigo e suas justificativas são ótimas e esclarecedoras!
Abraços e parabéns!
Vejo duas questões, aí: uma, preconceito não é “opinião”, muito menos “liberdade de expressão”. Preconceito é crime, mesmo que ainda não exista uma Lei efetiva que combata a homofobia, por exemplo, mesmo assim é crime. Ninguém, em nome de opinião nenhuma e nem em nome dessa tão propalada liberdade de expressão -- que virou o argumento banal de preconceituosos sem argumento -- pode expressar preconceitos! Falar que “odeia pretos” ou que “Hitler não fez tudo o que deveria”, por exemplo, é crime. Não tem por que ter “tolerância” com nenhuma forma de crime.
Dois, vejo intolerância, sim, entre intelectuais e militantes, às vezes uma intolerância escarnecida e grave, será que permitimos em outras questões fora os preconceitos, que o outro discorde? O que vejo nas redes sociais é intelectuais e militantes usando de sua cultura como uma forma de opressão em cima de quem não a tem. E, acho eu na minha ingenuidade, que devemos ser contra todas as formas de opressão. Não é por que eu pude me formar, fazer pós, doutorados e MBA’s que sou superior àquele que não pode ou não conseguiu. Por exemplo, vejo muitos militantes LGBT’s fazendo escarnio com a Teoria Queer, escárnio esse que gera mágoas, rancores e impede uma união maior na luta contra a homofobia, que deveria ser um dos nossos objetivos maiores. Sarcasmo, cinismo e escarnio não são sinais de inteligência, são armas fortíssimas que aniquilam o oponente discordante, mas que não levam muita coisa adiante, têm que ser muito bem usadas ou vira opressão do mesmo jeito.
Ricardo Aguieiras
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Perfeito!
Otima argumentação Ricardo
Certíssimo!
Sergio Viula