Por Leandro Oliveira

Os nomes mais fortes contra a cidadania LGBT na Câmara dos Deputados se abstiveram ou estavam ausentes durante a votação da PEC do trabalho escravo, nesta terça-feira (22). A Proposta de Emenda à Constituição 438/01 pretende expropriar terras onde for detectada a existência de trabalho escravo. Dados da Comissão Pastoral da Terra denunciam que mais de 42 mil pessoas foram libertadas de condições de escravidão desde 1995.

Os Deputados Federais Eduardo Cunha (PMDB/RJ), Marcos Feliciano (PSC/SP) e Jair Bolsonaro (PP/RJ) foram exemplos dos 152 Deputados Federais que estavam ausentes, se abstiveram ou votaram contra a PEC. Enquanto o primeiro se absteve (ou seja, anulou seu voto) os outros dois simplesmente não estavam presentes na votação (como pode ser visto no vídeo ao final da matéria, Bolsonaro estava presente, mas saiu da sessão após levar um “chega pra lá” do Deputado Chico Alencar). Ao todo foram 360 votos a favor da PEC, 29 contra, 98 ausentes, 25 abstenções e uma obstrução.

Outros dois Deputados, Washington Reis (PMDB/RJ) que em janeiro apresentou uma lei que permitia pastores e padres expulsarem gays de suas igrejas, e Roberto Lucena (PV/SP) que foi relator de um projeto de lei que pretende legalizar “a cura” de homossexuais, também se absteve e se ausentou da sessão respectivamente.

Parece que lutar contra a cidadania LGBT, chamá-los de doentes e alertar as famílias do perigo da “propaganda gay” é mais digno do que lutar pelos direitos de milhares de brasileiros que vivem em condições de escravidão no Brasil.

Mas não foram só estes candidatos, logicamente, que votaram contra, se abstiveram ou estavam ausentes na votação da PEC. Se fizermos uma análise por partido daqueles que não votaram pela aprovação da proposta podemos chegar a resultados ainda mais interessantes:

No PP (Partido Progressista), 61,54% dos seus deputados votaram contra, ou estavam ausentes ou se abstiveram. Seguidos vem o novíssimo PSD (Partido Social Democrático) com 53,19%, DEM (Democratas) com 48,15%, PR (Partido da República) com 44,44% e PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) com 39,74%. Todos esses partidos, com exceção do PSD, já foram temas da Série Eleições 2012 e receberam avaliações negativas no que se refere a posicionamentos em relação aos direitos LGBT.

O maior índice de votos contra veio do DEM com 18,52% dos seus deputados. De ausências veio do PP com 48,72% dos seus deputados e de abstenções veio do PSD com 14,89% dos seus deputados.

É importante destacar ainda que o único deputado do PHS (Partido Humanista da Solidariedade) que defende a “moral cristã”, votou contra a proposta.

Os únicos partidos onde todos os Deputados Federais votaram a favor da PEC foram: PCdoB (13 deputados), PMN (2 deputados), PPS (10 deputados), PRTB (1 deputado), PSL (1 deputado), PSOL (3 deputados) e PTdoB (3 deputados). Destes, três possuem posicionamentos bem positivos em relação à LGBTs em seus programas, são eles: PCdoB, PPS e PSOL.

Com estes resultados podemos constatar não somente que partidos ou candidatos com posturas homofóbicas tem tendências a desrespeitarem os direitos humanos de outros setores também, como se observa uma covardia e dissimulação destes em relação a temas importantes e pertinentes de nossa sociedade. Fazer estas associações é importante tanto para desmascarar as facetas homofóbicas em outros níveis, como lembrar os LGBT que um candidato/partido bom, deve ser bom em todos os aspectos.

Vídeo mostra Deputado Jair Bolsonaro em votação da PEC levando um “chega pra lá” do Deputado Chico Alencar (PSOL/RJ):

Confira os maiores índices de votos contra, abstenções e ausências por partido na votação da PEC contra o trabalho escravo:

Confira a votação por candidato clicando aqui.

Veja como se comportaram os partidos em outras importantes votações:

Aumento do salário dos parlamentares em 2010. Para ver a votação por candidato clique aqui.

Votação do Novo Código Florestal. Para ver a votação por candidato clique aqui.