“Haddad, o candidato que diz ser a inovação, mas teme defender suas políticas LGBT”
Por Marcos Oliveira e Marcelo Gerald
A eleição de São Paulo virou o ringue da homofobia, de um lado José Serra faz acusações contra Haddad, de que o material, elaborado quando era ministro, estimularia a homossexualidade e bissexualidade e de outro temos Haddad, que está sendo visto por muitos como o candidato dos LGBTs, mas o que podemos esperar?
Haddad evita falar no tema, quando questionado devolve pra Serra e este faz o mesmo, o debate é vazio, com propostas vazias e nenhum candidato diz como pretende combater a homofobia de fato e pra ajudar a verba da prefeitura destinada ao combate dessa intolerância foi reduzida significativamente.
O centro da discussão virou o kit anti-homofobia apelidado por Bolsonaro de kit-gay e difundido por grande parte da imprensa que se alimenta de polêmicas e deu corda sem averiguar fatos. José Serra conseguiu virar durante a campanha a voz da homofobia, pois usa os mesmos termos dos homofóbicos, tais como “kit gay”, “bissexualismo”e “homossexualismo”além de colocar a homossexualidade como “opção”e questão de escolha que poderia ser estimulada. Tem que ser muito ignorante pra acreditar nisso ou que o candidato levaria isso realmente a sério. Mas Haddad não faz contraponto, ele não rebate, não defende o seu material, por vezes se mostra desconfortável e com medo de perder votos.
A polêmica contra o kit começou com Bolsonaro, mas quem deu gás a ela e alimentou a homofobia nessa discussão foi Dilma ao vetar, sem ter visto o material e dizer que seu governo não faz propaganda de “opção sexual” a presidenta, assim como Serra, colocam a homossexualidade como sendo algo ruim e reforçam todo o tipo de preconceito .
Haddad tem dito na sua campanha eleitoral que só soube do conteúdo do “Escola Sem Homofobia” na véspera ao veto da Dilma. Vejamos uma breve análise de como tem se posicionado o candidato sobre o “Escola sem Homofobia” desde o veto:
- Na matéria homofóbica da Record, em 2011, que ajudou a derrubar o material, um membro da ABGLT afirma que esteve em reunião com o Haddad, que ele sabia do conteúdo do material e que inclusive este material já estava aprovado; e mais: em janeiro de 2011, quatro meses antes do veto ao kit, o Haddad já tinha dado declarações à imprensa mostrando já ter conhecimentos sobre o material. Video:
- Em debate no Terra, Haddad diz que concordaram com a bancada evangélica que o kit não deveria ser utilizado.
- Em 2011, antes da arbitrariedade da Dillma, Haddad tinha negado que MEC iria alterar conteúdo de material de combate à homofobia nas escolas;
- Em entrevista ao FOLHA, Haddad disse que ele e Dilma decidiram juntos que o material não deveria ser distribuído; Já em entrevista coletiva em 2011 sobre a suspensão do material, Haddad disse que foram enviados para a mesa da Dilma o kit do ‘Escola sem Homofobia” do MEC e o material falso produzido pela bancada evangélica para Dilma analisar. Video:” )
- Em 2011, uma semana antes do material falso da bancada evangélica ter chegado à mesa da presidenta Dilma, Haddad se reuniu com a bancada teocrata e afirmou que aqueles materiais não faziam parte do ‘Escola Sem Homofobia’. Lembrando que ele disse no debate ao Terra que eles (o MEC e Dilma) concordaram com a bancada evangélica que o kit não deveria ser utilizado, mesmo em 2011 o Haddad tendo afirmado que os materiais que a bancada evangélica tanto criticava não faziam parte do ‘Escola Sem Homofobia”.
Os fatos citados mostram a falta de transparência. Dilma lançou uma bola de neve em maio passado ao vetar o kit, Haddad como subordinado teve que obedecer e agora ele tem que manter a bola de neve com mentiras sobre o veto ao material.
Alguns pontos que alguns LGBTs criticam em Haddad:
- Ele não ter tido a competência de evitar que o material falso dos teocratas chegassem à mesa da Dilma como verdadeiro, mesmo o Haddad sabendo uma semana antes que esses materiais falsos não integravam o ‘Escola Sem Homofobia”.
- Ao dizer que concordou com a bancada evangélica que o kit não deveria ser utilizado, suponho que o Haddad também esteja validando o material falso em que usaram materiais do ministério da Saúde para profissionais do sexo e travestis, com imagens de sexo oral e anal.
- Ele não ter a honestidade de admitir que falhou, mesmo que admitisse só para os militantes LGBTs na reunião ocorrida.
- O uso da homofobia contra o Haddad cresceu no segundo turno, mas desde antes do primeiro turno já ocorria e o Haddad só defendeu LGBTs de forma vaga e generalizada, sempre relacionando política LGBT com respeito à religião.
- Há políticas LGBT no plano de governo do Haddad, mas em nenhum momento elas foram apresentadas na campanha de rádio ou tv, mesmo com todo o ataque homofóbico contra LGBTs e contra ele.
- No plano de Governo de Haddad diz que irá rever o Conselho Municipal LGBT e a sua forma de eleição, hoje a a eleição do Conselho é Direta, antigamente era indireta e por indicação, o que era bem ruim, pois tínhamos um conselho tendencioso e com pessoas ligadas somente a um partido e sem comprometimento. O risco disso voltar coloca em dúvida as boas intenções do candidato e essa insegurança precisa ser esclarecida.
Posto isto, eu não igualamos Serra à Haddad. O Marcos estagiou no MEC durante a sua gestão. Como gestor são consideráveis as suas políticas LGBTs existentes no MEC, mas parece que todo esse posicionamento pró-LGBT mudou na medida em que ele deixou de ser gestor e passou a estar ligado a um partido político e seus interesses.
Pra um candidato que usa a inovação no seu slogan de campanha, o candidato Haddad tem deixado muito a desejar por não ter colocado na campanha as políticas LGBTs existentes no seu plano de governo, principalmente por seu adversários estarem usando políticas LGBT contra ele.
Conheça o plano de governo de Haddad aqui. O ideal é que imprima ou guarde esse pdf .
As propostas de Haddad, assim como as de Serra são bem vagas sobre o combate à homofobia. Chegam a ser simplórias, não se sabe se irá cumpri-las. O temor é que assim como Dilma engavete tudo e fuja do assunto, o seu plano de governo, no geral é bom em algumas outras questões, se colocado em prática. Quem votar no candidato deve assumir o compromisso de acompanhar e cobrar.
Esperamos que após a derrota de Russomano e Serra, o PT acorde que deve retomar políticas progressistas, a defesa de Direitos Humanos e de políticas pró-LGBT e sobretudo o respeito à laicidade do Estado. Haddad está com 60% das intenções de votos sem ter feito alianças e promessas com teocratas. Se fizer agora pra ganhar alguns votos será mais um erro estratégico somado a tantos outros que o partido tem feito. Lula já se mostrou favorável a Haddad se comprometer em nunca implementar o kit anti-homofobia. Esperamos que Haddad não ceda. Notícia da FOLHA de hoje diz que o candidato vai buscar o voto evangélico, a pergunta que deve ser feita é pra quê? Serra usou do conservadorismo pra ganhar votos e o resultado foi exatamente o contrário, o eleitorado em que ele mais perdeu votos foi o evangélico.
A militância LGBT precisa ser mais unida. Precisa marcar mais e ser menos partidária, ao apostar todas as fichas em um candidato não deve apoiar cegamente, nenhum movimento fora o LGBT faz isso. O apoio à Dilma foi dado sem exigir contrapartida, ela se comprometeu com teocratas que exigiram e o resultado todo mundo conhece.








Dilma Rousseff é a chefe de Estado mais desastrada dentre os países que assinaram acordos internacionais que incluem o combate à homofobia. Ela foi uma decepção completa nesse sentido. E se o Serra não estivesse alinhado com os fundamentalistas teocratas, ele provavelmente estaria melhor que Haddad nas pesquisas de intenção de voto. É tanta burrice junta que eu fico a pensar se o Brasil não é uma carroça puxada por jumentos e todos nós iludidos pensando que viajamos de primeira classe com piloto, co-piloto e tripulação de primeira linha.
Cansado de tanta caretice, tanta babaquice dessa eterna falta do que falar (cito o eterno Cazuza aqui em referências aos intelectualmente paupérrimos políticos brasileiros).
Sergio Viula
Corrigindo levemente a frase:
Cansado de tanta caretice, tanta babaquice, dessa eterna falta do que falar (cito o eterno Cazuza aqui em referência aos intelectualmente paupérrimos políticos brasileiros).
Sergio Viula