Por Marcelo Gerald

golpeEu ando fugindo de certos debates e pra falar a verdade sem muita simpatia em relação ao governo interino, mas aquela gritaria “golpe, golpe, golpe”, meio que me cansou, não vejo nada produtivo nisto e percebo novamente a esquerda perdendo grande oportunidade de ocupar o espaço político e pior, coisas assim vem se repetindo desde 2013, quando os primeiros protestos surgiram, além de terem falhado em ocupar os espaços, as redes, os blogs pra depois irem às ruas parte da esquerda optou por desqualificar os atos.

Os frutos vieram rapidamente e em pouco tempo a direita ocupou o enorme vácuo, o que era inicialmente pauta de esquerda foi sendo substituído por pautas da direita e ganhando simpatia através da gritaria contra a corrupção.

Hoje a notícia de que Lula e parte do PT apoiaria Maia do DEM, um dos articuladores do impeachment, para a presidência da Câmara tem causado polêmica nas redes sociais, não se sabe ao certo se isto faria parte do jogo político, ou se seria mais algum tipo de  ingenuidade ou erro estratégico por parte do PT, questiono também como ficam todos que vem lutando contra o golpe pela derrubada da presidenta nos últimos meses.

Penso que se petistas fossem coerentes se uniriam em torno do deputado Jean Wyllys (PSOL), não falo isto apenas porque seria uma ruptura com o conservadorismo emergente na Câmara ao eleger o seu primeiro presidente gay, mas seria prova e demonstração de lealdade, afinal, Jean tem sido um fiel escudeiro da presidenta, alguns até dizem que o Deputado estaria sendo mais petista que vários petistas.

A esquerda precisa retomar suas pautas, voltar a crescer e ocupar os espaços sejam virtuais, sejam as ruas, mas é necessário estar mais aberta ao diálogo, não vejo muita esperança quando tudo que se ouve após qualquer crítica se resume a “golpe”, ou a acusação de que estaria apoiando golpistas, hoje eu fiquei feliz ao ver um vídeo com vários ativistas cobrando o governo interino, acho importante e este tipo de pressão deveria ter existido desde sempre e não somente quando a oposição passou a ocupar o poder, eu espero que sirva de exercício e que na prática nunca deixemos de cobrar.

Acho bacana quando parte da militância se une, mas não gosto de me sentir manipulado e em certas situações não vejo muita diferença entre os que apoiaram os patos dos que agem como patos, eu espero que a crítica que valha ao partido X valha também ao partido Y na mesma situação e vejo isto como sinal de coerência, luta política e ética.

patos-fiesp

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