Por Leandro de Oliveira

O último final de semana foi marcado por fatos que parte da sociedade prefere esconder, que os jornais preferem desqualificar e que a maioria dos gays preferem não ver. Não poderíamos dizer que foram dias incomuns. Afinal, gays foram  hostilizados, espancados, humilhados, e na mesma proporção se abstiveram. Claro que não todos, houve alguns focos de choque, algumas manifestações virtuais, mas a grande maioria preferiu continuar entretida em suas músicas da Lady Gaga e suas piadinhas de cotidiano gay.

No final de semana da Parada Gay de Copacabana, um movimento pela visibilidade LGBT, fomos surpreendidos já na madrugada de sábado com uma notícia triste: Três jovens gays foram covardemente espancados por um grupo de rapazes. Os rapazes xingaram, bateram, socaram, humilharam, um dos agredidos foi para o hospital, tudo com testemunhas. A mãe de um dos playboyzinhos criminosos disse que o filho  era um menino que tinha boas notas e o pai de outro disse que provavelmente o filho tenha  sido “cantado” por um dos gays, justificando o ato do filho, e comprovando que homofobia se aprende em casa. Resultado, um dia depois os filhinhos de papai foram soltos, os quatro de menor, e o de maior. Houve  certa comoção por parte dos gays, mas passou.

Tivemos no mesmo final de semana, na noite da Parada Gay de Copacana, outro acontecimento “inédito” e que ganhou algum destaque no noticiário. Um grupo de rapazes foi hostilizado por um possível grupo de militares, que acaboram atirando na barriga de um dos gays. No depoimento os rapazes disseram que os agressores os xingaram e disseram que tinham nojo dessa raça – Os gays. A reação não foi a esperada também, e como a outra passou.

No mesmíssimo final de semana vimos surgir na rede um perfil neo nazista intitulado ju_tedesco. O perfil disseminava ódio contra gays, negros e pobres. Diferentemente da comoção que se teve no caso Petruso, nenhuma tag foi levantada contra as bárbaridades que este fake pregava. Quando se descobriu que figura por trás do perfil era de um neo nazista, que a algum tempo já vinha causando problemas nas redes sociais e que inclusive utlizou o nome Tedesco em “homenagem” a uma travesti assassinada no ano passado – Juliana Tedesco, a comoção foi….quase nada. Nem pras páginas dos grandes portais de notícias foi. E os gays, acostumados com este tipo de violência, partiram para a próxima.

Bem próxima mesmo, e agora direto dos meios acadêmicos. Não, nenhum aluno foi hostilizado e agredido por outro durante uma festa universitária, e nem foi agredido por seguranças. A agressão veio verbalmente e institucionalizada em uma carta do reitor da Universidade (?) Mackenzie, se posicionando contra a PLC 122 – uma lei contra aquilo que não existe, já que discriminar é um direito do “cidadão de bem”. O posicionamento, lógico, vem sustentado sobre uma carga de fundamentalismo que faz qualquer conhecedor da constituição deste país ficar de boca aberta (ou não), sem fundo critico nenhum, baseado em  argumentos falsos e precipitados e que ferem os direitos laicos e democráticos do estado. A universidade é reconhecida pelo MEC. Mobilização: Zero.

Na noite de segunda, estarrecidos com todas essas notícias, um grupo de pessoas começou a se movimentar no meio virtual para um protesto na avenida paulista e outro no twitter. Resultado: A manifestação contou com cinco pessoas e no twitter a tag #protestocontraimpunidade não subiu.

Dormimos, acordamos e nos deparamos com outra notícia, mais um homossexual assassinato (a tiros) no município de Paulo Afonso, Bahia. O UOL traz que mais de 600 denúncias de agressão contra gays foram registrada em um ano só no Rio de Janeiro. E enquanto estatísticas mostram que 1 LGBT é assassinado a cada dois dias no país vítima de homofobia, nossa movimentação é quase nula.

E assim passamos os dias, a comoção é tão pequena que fica até difícil lembrar de Alexandre Ivo Rajão, 14 anos, e brutalmente assassinado lá no fim de julho. Ou dos jovens que sofreram agressões na USP, ou do jornal “O Parasita” que mandava jogar fezes em gays. Tudo isso cai no esquecimento fácil.

E em tempos onde um beijo causa prisão e moralismos inflamados enquanto a violência causa impunidade e conforto, nós vamos vivendo. Alguns tentam dar outros nomes a esta violência,  outros preferem fingir que ela não existe. Mas no fundo todos sabem que isto tem nome. As perguntas que ficam são: Quem será o próximo alvo?E quantos continuarão acomodados? E se alguém se movimentará?

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