Fundador de grupo de ‘cura de homossexuais’ que e se assumiu gay revela: “Ninguém deixava de ser gay, houve relacionamentos até dentro do grupo”
Por William De Luca
Nada melhor do que um exemplo para refutar a eficiência de tratamentos para a conversão de orientação sexual, que dizem que gays podem se ‘converter’ em heteros. O professor de inglês, filosofia e teólogo carioca Sergio Viula, 42 anos, foi um dos fundadores do Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), ONG evangélica que dá auxílio a pessoas que desejam abandonar a homossexualidade. Ele casou-se, teve dois filhos e viu de perto os métodos de ‘reorientação sexual’. Sergio conversou comigo com exclusividade, e mostra que os métodos de mudança de orientação sexual são ineficazes e causam dor e sofrimento a quem se dispõe a passar por qualquer deles.
Como começou sua vida junto à igreja evangélica? Como foi a sua entrada?
- Eu comecei aos 16 anos, numa igreja noepentecostal, mas depois migrei para a igreja batista. Eu me converti a partir da pregação de colegas, não era de família, que era católica. Hoje parte é católica e parte é evangélica.
Nessa época você já sabia que era gay? Já tinha tido relacionamentos com guris?
- Havia tido relacionamentos gays, sim, mas não assumia, eu pensava que fosse passageiro. Meu primeiro relacionamento foi aos 12 anos, com um garoto um pouco mais velho, de forma escondida, é claro, durante dois anos. Na verdade, queria pensar que tudo isso fosse passageiro, por causa das pressões em casa. Minha família era muito tradicional.
Como foi o processo de “virar ex-gay”?
- Na verdade, ex-gay não existe, é pura auto-sugestão. Eu comecei a ir à igreja e percebi que os homossexuais não tinham como lidar com suas ‘dificuldades’, por falta de orientação das lideranças, então decidi fundar o Movimento pela Sexualidade Sadia (Moses), junto com João Luiz Santolin e Liane França. Foi aí que comecei realmente a dizer em momentos oportunos que era ex-gay.
Você nunca se convenceu que tinha virado ex gay? Sempre soube que estava se enganando?
- Hoje sei que estava me enganando. Na época, pensava que qualquer sentimento ou atração fosse mera ‘tentação’ e que isso poderia ser superado com oração e dedicação a deus. No grupo, basicamente, pensávamos que ser gay fosse pecado, que devia ser confessado e abandonado e para isso, fazíamos proselitismo, aconselhamento, oração, pregação, recomendávamos certos livros, leitura bíblica, coisas que os crentes geralmente fazem, mas com foco na homossexualidade, sempre demonizando a homoafetividade, infelizmente. Eu trabalhei com a igreja num total de 18 anos, o Moses começou em 1997, em 2003 eu estava fora, foram quase sete anos. Tínhamos psicólogos parceiros e contávamos com vários voluntários. Uma vez enchemos um ônibus e levamos para o Miss Brasil Gay em Juiz de Fora só para evangelizarmos os LGBT que foram ao evento, mas na diretoria eram cerca de 10 pessoas.
Mas como era esse processo de ‘abandonar o pecado’? Era como um tratamento?
– Isso não acontecia de fato, era o que se chamava discipulado, acaba sendo uma lavagem cerebral. Você tem que se isolar do seu antigo círculo de amigos, começar a se enfiar nas reuniões da igreja, fazer sessões de aconselhamento, orar, jejuar, essas coisas. Quando acontecia de alguém se envolver com outro homossexual, ele tinha que confessar o que fez, UMA LOUCURA DO CARALHO! Desculpe, mas ainda hoje tenho até raiva de lembrar disso.
Por que raiva?
– Ninguém deixava de ser gay, houve relacionamentos até dentro do grupo, entre uma atividade e outra da igreja, eles sempre arrumavam tempo pra isso. Você consegue imaginar quanto sofrimento para mim mesmo e para todos os que atuaram ou foram influenciados por esse trabalho? É irritante! E tem gente até hoje repetindo esse discurso imbecil.
O que tu sente quando vê pessoas como o pastor Silas Malafaia fazendo pregações do tipo que você fazia? É um discurso parecido?
– Ele é um idiota! Eu era um garoto quando me envolvi com tudo isso, tinha pouquíssima experiência de vida e não ainda não havia tanta informação como hoje. Agora, ele atua na base da má-fé mesmo, com interesses financeiros, projetos de poder, etc. E diz ele que nunca foi gay, será? Fico muito desconfiado de gente que gasta tanta energia e dinheiro para combater algo que não tenha nada a ver consigo mesma. Entendo heterossexuais que compreendem os riscos da homofobia, mas não entendo heterossexuais que quase surtam só por saberem que os gays estão felizes, saudáveis e produzindo para o país…
Será que não é pra ter uma bandeira atualmente? Ganhar visibilidade, sei lá…
– Não deixa de ser má-fé. Só confirma minha tese.
Quando você decidiu que era momento de parar? Você saiu do movimento ao mesmo tempo em que saiu do armário?
– Sim, saí ao mesmo tempo. Tudo aconteceu quando eu tive certeza de que já tinha feito e crido ao máximo. A gota d’água foi uma viagem a Cingapura, durante a qual conheci um filipino e fiquei com ele. Já voltei decido que iria colocar um fim nessa panacéia. Fiz isso e comecei imediatamente a repensar diversas das minhas posturas e crenças, levou ainda dois anos para que eu dissesse tudo o que digo até hoje. Houve perseguição por parte do Moses, muita gente ficou em choque, mas eles tiveram que se dobrar, pois minha atuação no movimento era grande. Minha maior projeção, porém, se dava na igreja. Eu era pastor, editor do jornal Desafio das Seitas, que teve seu auge durante minha atuação, e por aí vai…
E na sua família? Qual foi a reação?
– Houve um choque por parte dos meus pais, mas meus filhos nunca criaram problema, só ficaram perplexos, porque eu saí da igreja, já que eu era tão dedicado. Separei-me da mãe deles, mas isso não criava grandes problemas, aparentemente. Só me perguntaram francamente sobre o assunto aos 12 (ela) e aos 11 (ele). Ambos compreenderam numa boa e sempre foram meus amigos. Relacionam-se muito bem comigo e com meu parceiro Emanuel.
Você hoje se sente completo, feliz?
– Sim, hoje me sinto em paz comigo mesmo, feliz e me pergunto como pude ter suportado tanta castração inútil por tanto tempo.
Você acha que o que vocês faziam era uma violência, contra vocês mesmos, e contra os outros?
– Sim, era uma violência contra nós mesmos, por termos internalizado a homofobia que nos circundava desde cedo, e contra os outros, porque reproduzíamos essa mesma homofobia que eles mesmos já tinham internalizado. Só reforçávamos ainda mais isso.
Você não apenas largou a igreja, o movimento, como deixou de acreditar em deus… Como se deu isso?
– Isso se deu em função de questionamentos honestos e ousados sobre deus/deuses, escrituras cristãs e de outras religiões, igreja e outras instituições religiosas. Meu pensamento e atitude com relação a ideia de deus/deuses não é mero fruto de sofrimento com essa ou aquela igreja ou crença. Na verdade, muitas igrejas se abriram para mim quando saí do armário e confessaram seu interesse em que eu, não só participasse da vida da igreja, como ministrasse como pastor dela. O próprio bispo fundador da Metropolitan Community Church, Troy Perry, me disse isso pessoalmente. Também não foi por ver mau comportamento de crentes em geral, uma vez que conheço alguns que considero pessoas fantásticas até hoje (tanto do mainstream evangélico e protestante, como das modernas igrejas inclusivas). Tendo isso em mente, nem deus, nem escrituras, nem igrejas passam pelo crivo da razão, e não me refiro à razão de uma mente brilhante como a de Nietzsche, Darwin, Sartre, Hopkins, Dawkins, etc., refiro-me à razão de uma mente mediana como a minha. Não posso ir contra mim mesmo e contra aquilo que enxergo tão distintamente. No entanto, defendo a liberdade. E por isso, crer e não crer são coisas que não podem ser controladas, coibidas, exceto quando colocam os direitos humanos em xeque.
Pra terminar, o que você diria pra um jovem gay que está passando por este processo de ‘cura espiritual da homossexualidade’? Vale a pena?
– Conversão religiosa que não admite e CELEBRA sua homossexualidade não merece seu tempo e talento. Se quiser frequentar alguma comunidade, procure uma que tenha maturidade até para questionar a validade das assertivas religiosas. Mas, preferencialmente, viva sem depender de muletas existenciais quaisquer que sejam elas. Aproveito para sugerir a leitura de um post escrito por mim. Esse post nasceu do esboço de uma palestra que dei na Igreja Ecumênica de Copacabana por ocasião das comemorações do dia da Bíblia no calendário católico. Foi esse ano.
William De Luca é repórter de economia do Jornal da Paraíba. Jornalista, ativista LGBT.
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gente sou bi mas nao sei como me assumir diante dos meus familiares e meus amigos me ajudemm por favor
Não há na literatura cientifica que comprove que ser homosessual é doente… então amigos, “vinde e regozijai-vos pois é tudo do bem”! nós nascemos pra ser felizes e completos dentro daquilo que somos!!! eu sou feliz, me descobrí com 13 anos e me assumi pra minha familia com 16, quando tive meu primeiro namorado. eles (familia)e maigos me amam e respeitam pois sabem que sou um ser humano normal. jamais, jamais deixe alguem lhe dizer que voce não é normal. não é pecado! ser feliz é uma dádiva pra poucos!é pros fortes e eu sou um deles! abraços a todos.
Isso tudo ,por que todos nós aprendemos que ser gay é errado , e que devemos nos excluir dos melhores prazeres sociais , até do amor , ouvimos absurdos inexatos e concordamos , personalidade viril é o que deveríamos ter desde o ato de se ”assumir” .Parabéns , muuuuuuuuuuuuuuuuitas felicidades!
“Cura” para homossexuais?? Isso é invenção dessas seitas pentecostais e neopentecostais, para deixarem os homossexuais perturbados!!
Eu não sei pq o que os homossexuais incomodam tanto esses religiosos, pôxa, cada um vive sua vida, ningm ver nenhum homossexual se importar cm a vida sexual do heterossexual, ningm ver nenhum pastor ser contra heterosexuais que compra revista de mulher pelada e passa a noite toda se masturbando, só vemos eles se incomodarem cm a vida sexual do homossexual, se a preocupção deles é que vamos para o inferno, deixem a gente ir powww, o problema é nosso!!!
PS: não acredito no inferno!!!
Preciso de ajuda. Eu procurei essa informação porque ontem descobri que um parente próximo é gay (meu primo). Eu não briguei com ele, nem deixei e não vou deixar de falar com ele de jeito nenhum. Mas eu fiquei em estado de choque não na frente dele, na frente dele eu dei a entender que nem ligava, mas eu ligo muito! O que eu faço para superar o problema eu gostaria da resposta de um homossexual e o que ele gostaria e como todos os tratassem, e uma pessoa com a mesma experiência que eu só que sua experiência já tenha passado e como esta pessoa superou!
Por favor, ajudem-me! Hoje mesmo vou a casa dele se eu puder!
Obs.: ele é simplesmente homossexual não uma baitola.
O maior conselho que posso te dar é o seguinte: o seu primo, ao se assumir gay, não deixou de ser a mesma pessoa que era antes. Você só descobriu mais um traço da personalidade dele, ao qual nós damos relevância exagerada. Ele tanto é gay quanto gosta de passar o Natal em família, quanto gosta mais da cor verde que da amarela, quanto gosta das piadas de algum amigo, quanto gosta da companhia das pessoas que ele ama. Não desperdice sua amizade com seu primo por causa de uma briga insensata, motivada apenas pelo fato de ele gostar de meninos, e não de meninas. Há muito mais no relacionamento entre ele e você, do que o fato de ele ser gay, e, acredite, isso não vai influenciar em nada o relacionamento dele contigo. É normal você estar em estado de choque, mas acredite, não tem nada no que você se ligar. Deve estar muito claro na cabeça do seu primo que você e ele são amigos e primos, pois acredite, assim como você tem amigas mulheres que você não tem vontade de ficar, ele tem amigos heteros com os quais ele também não sente atração. Fique tranquilo.
Autorizo que submeta meu comentário sim, que sou a maiór prova disso, que vive também este martire de flagelação, durante muitos e muitos anos de minha vida!
Querido amado irmão e amigo, voce nunca deixará de ser um servo de DEUS, por ter se assumido um gay, passei por isso também á muitos anos atráz, e quase lhe conheci, mais graças ao bom DEUS isso não foi permetido, hoje como um Teólogo formado desde de 2004 pude entender que sempre fomos obrigados a passar por éssas lavagens cerebrais, que seu gay é demoníaco, isso é metira pura, pois o que mais tem hoje nas igrejas são homosexuais escondidos nos armários, e não existe ésta histórinha de ex nao, pois frequentei muitos anos de minha vida ASSEMBLÉIA DE DEUS, e sempre fui gay, isto já vem dentro de nós, só que passamos por uma flagelação de um deus carrasco que vamos para o inferno ,só que eles esquecem de um grande detalhe que para DEUS não existe, pecado,pecadinho, pecadão, “pecado”, mais isso é pura hipocrisia, esquecem que a maiór pregação é o AMOR, eisto meu amigo ninguém vivencia na atual conjuntura, sáo um bando de hipócritas , egoístas, e insatisfeitos, por não quererem ver a nóssa felicidade,hoje com meus 45 anos de idade sou bem assumido e bem resolvido, aceitem quem me quizer e dânesses os outros, pois a maiór prova é a nóssa própria consciência e pronto, te parabenizo meu amigo, por seres este ser lindo e corajoso, e de poupar outros amigos por estarem se flagelando atualmente a ponto de até se suscidarem, se penalizando até a morte pensando que são os próprios demônios, tou contigo e não abro mais a mão de ser feliz, se quizer querido vou lhe passar meu hotmail, para conversarmos melhór, mattos.ricardo39@hotmail.com! um grande abraço e que DEUS te abençoe sempre!beijão!
gente uma que ser gay não é pecadoo,e nem doença eu sou gay dez do meu 13 anos….
logico eu fiqueiiiiiiiiiiiii em duvidaaaaa,so que eu preferi homens,agente samos muitos felizes,e alegres..
e outra não tem essa de ex-gayy a pessoa quandooo é para ser é para ser não tem como mudar,vc pode tentar o que quizer não mudaaa……
Agora, vocês podem encontrar a mesma entrevista em inglês aqui: http://flyingteapot.haaan.com/2011/11/475
Um abraço para a equipe do Eleições Hoje!!!
Sergio Viula
William, achei brilhante o seu artigo. É a verdadeira sabedoria adquirida através da vivência do conhecimento. pois conhecimento só se transforma em sabedoría quando vivido.
Parabéns por ter passado por isto tudo, suportado as provações que a vida lhe ofereceu e, por mais que você tenha perdido a fé na força do divino(e eu compreendo isto após tanto sofrimento em nome dele), tenho certeza que era exatamente isto que o Divino queria: Que voc^aprendesse a enchergar com seus próprios olhos e tivesse a certeza interior que cada ser humano tem o direito de ser o que quiser e ser respeitado por isto. Gostaria muito de ser teu amigo, me mande um e-mail, vamos conversa mais! : druidaerius@yahoo.com.br
Religião é um dos piores males da humanidade. Se mata, se discrimina, se julga, se espalha intolerância, tudo em nome dessa porra de religião. Os ignorantes fundamentalistas religiosos deveriam largar esse livro chamado bíblia e estudar a teoria da evolução, se é que essa gente alienada e ignorante tem capacidade de entendimento e discernimento.
Eu conheci ele pessoalmente e ele me contou sobre as experiências de vida dele. Ele, inclusive, fazia parte do mesmo grupo daquela psicóloga doente e homofóbica Rozângela Justino. Só que ele acordou para a realidade e aquela doente mental continua insistindo em querer reverter a homossexualidade dos outros. Eu fico indignado com o fato dessa homofóbica alienada ainda exercer a profissão. Deveriam prender essa infeliz.
Ex- heterosexual, existe?
O problema é que somos “condicionados” a sermos heterossexuais. Não existe ex-gay como não existe ex-hetero. As pessoas já nascem assim, homo ou hetero.
A questão é quando se descobrem gays, pq dependendo da aceitação das pessoas a sua volta elas vão expor ou não sua orientação sexual.
Cara que coincidência, eu estou justamente negociando uma entrevista para o meu blog. Galera é sério, não tô copiando a ideia não heim rsrsrss. Bem, quanto ao Sérgio, podemos tirar um grande lição disso tudo, mas devemos antes de mais nada comemorar o fato dele ter conseguido se livrar desse horror a tempo de ser feliz. E, torcer para que menos pessoas tenham que passar por um processo tão dolorido quanto desnecessário.
Fico feliz em ler que vc era muito novo quando se envolveu com tudo, e que hoje demonstrou ser um adulto INTELIGENTE, RACIONAL. Parabéns cara!
Em relação ao Silas Malafaia: Doente, manipualador e calculista! Isso para ser brando
Esse aí fez mal pra muita gente
ja pensou se ele tivesse se curado?!?!?!
ia ser um baita desperdicio kkkkkkkk