Dilma, a presidenta submissa,
Ou a que governa para fundamentalistas?
Por Marcelo Gerald
Desde as eleições de 2010, muito se fala do fundamentalismo que tenta tomar conta do Congresso, do Executivo e até do Judiciário.
Que o fundamentalismo está infiltrado no Legislativo e na agenda da nossa presidenta não há dúvidas.
A questão é Dilma atende as suas demandas porque não tem opção? Ou por que fez uma escolha?
Vamos brincar de fazer contas?
A Câmara tem 66 Deputados evangélicos (13,2% do total). Sobram 447 Deputados que não fazem parte da Frente Evangélica.
Observe a figura abaixo retirada da matéria de Felipe Severo na revista Viés.
O Senado tem três evangélicos: Walter Pinheiro (PT-BA), Magno Malta (PR-ES) e o bispo Marcelo Crivella (PR-RJ), portanto sobram 78 Senadores.
É a militância governista tem razão, o Congresso Nacional está tomado, temos um Governo fraco, com membros ou pessoas ligadas a ele pertencentes à bancada fundamentalista, legisladores, no geral, pouco comprometidos com Direitos Humanos e com o futuro do Brasil.
A militância LGBT pede paciência, já a evangélica avança e dita as regras do país.
Por quê? Evangélicos preenchem buracos, suprem onde o governo falha e daí conseguem apoio fácil, a militância LGBT, assim como várias outras dos movimentos sociais, no geral, é submissa a um modelo, grande parte dela está partidarizada e com prioridades nada ligadas à causa que deveria defender.
Resultado: Evangélicos são minoria, mas mandam.
Curioso não?
Uma minoria que discrimina minorias, mulheres, que quer modificar a lei contra o racismo para poder discriminar baseado na fé!
Enquanto isso, Dilma assina MP que faz cadastro nacional de grávidas, de modo que, agora quem abortar terá maior possibilidade de ser punida. Esta era uma das maiores demandas dos fundamentalistas.
Os militantes governistas costumam dizer que a presidenta não tem escolha, mas fazendo as contas, o que dá pra concluir é que ela fez uma escolha: Dilma optou pelo lado conservador.
Lutamos muito pra ter um governo progressista no poder e agora que temos este atende os anseios da Direita ultraconservadora. Quem diria?
Se tem uma coisa que admiro na Argentina são os avanços e a coragem de sua presidenta, esta não se vende, não baixa a cabeça pro fundamentalismo, enfrentou os resquícios da ditadura e foi reeleita. Parabéns pro nosso país vizinho.
Confira a lista dos parlamentares evangélicos na página 2
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Sinceramente, estou muito decepcionado com as posições que a Dilma vem tomando depois de 1 mês de eleita. Pensei que ela iria, fazer o minimo 50% da defesa que o Lula fazia em prol dos direitos humanos sobre tudo minorias oprimidas.
Como cidadão brasileiro, acredito que ela esteja fazendo o bem para as finanças do Brasil, mas como cidadão Homossexual estou profundamente decepcionado e me sinto abandonado.
Belíssimo texto. Só acrescentaria um dado à sua brilhante explanação. A Bancada Evangélica, além de diminuta, representa, no máximo, 20% da população brasileira, de acordo com o Censo/2010. E, segundo especialistas, tal parcela da população responde tão-somente por 6% do eleitorado.
Ora, tomando por base tais fatos, só posso crer que a “presidenta dos outros” fez realmente uma escolha. Cabe a nós, em 14, fazermos a nossa também.
A bancada evangélica, proporcionalmente, aos declaradamente defensores da causa LGBT, é maior e fala mais alto. Entretanto, a maioria dos políticos, independentemente de serem evangélicos ou não, não tem coragem de apoiar causas tidas como progressistas porque o brasileiro ainda é muito conservador, homofóbico e preconceituoso (muitas pesquisas apontam isto).
A presidenta dilma, por estar comprometida com um projeto de governabilidade e de sucessão (portanto, de Poder), também não quer se indispor com o eleitorado e nega direitos humanos flagrantemente, pior, os troca por apoios escusos, para preservar a sua banda podre.