Por Marcelo Gerald
Dilma discursou ontem, durante a cerimônia alusiva ao Dia Internacional em Memória das vítimas do Holocausto.
As falas da presidenta melhoraram um pouco em relação às anteriores, mas estão longe de satisfatórias. Dilma fala da xenofobia, do racismo, mas não cita a homofobia. O progresso está em reconhecer que existe discriminação contra homossexuais, mas o que seria esta discriminação?
A questão aqui vai muito além da Linguística, ela denota sim uma escolha, um posicionamento ideológico por parte da presidenta da República.
Os conservadores, que são contra a criminalização da homofobia, costumam dizer que não apoiam a violência física a LGBTs, mas são a favor da liberdade de expressão, ou seja vale tudo, menos bater e matar. Violência psicológica, tortura, bullying, humilhação, exclusão social, tudo isso, está abarcado no que eles chamariam de liberdade!
Dilma mostra desprezo a termos direcionados a LGBTs, como orientação sexual, e nega em partes a existência da intolerância homofóbica. Faz isso por desinformação? Ou por estar do lado conservador? Dilma usa o termo “opção sexual” por hábito e desconhecimento? Ou por acreditar ser uma questão de escolha?
No veto ao kit Dilma disse:
“O governo defende a educação e também a luta contra práticas homofóbicas. No entanto, não vai ser permitido a nenhum órgão do governo fazer propaganda de opções sexuais”
Se é possível fazer propaganda, então para Dilma seria possível estimular a homossexualidade. A declaração infeliz deixa claro que este “ estímulo” não deve ser feito, talvez por acreditar que ser gay seria algo inferior à heterossexualidade.
Se a presidenta é homofóbica não interessa, o que interessa aqui é que deu uma declaração homofóbica e nunca consertou. Dilma se posiciona do lado homofóbico, usa a mesma linguagem deles, se recusa a estar presente na Conferência Nacional LGBT, vetou o kit e não participa diretamente de nenhuma campanha em prol de LGBTs.
A declaração é grave porque subentende que ser gay é errado e que somente a violência física contra homossexuais seria repudiada. Qualquer campanha educativa, para a presidenta poderia ser entendida como propaganda, ou apologia à homossexualidade, alguns podem dizer que exagero ao afirmar isso e meses atrás quando comentei este caso deixei passar parte da declaração que não deixa dúvidas do que afirmo:
Dilma determinou que todo o material produzido pelo MEC, pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Direitos Humanos sobre costumes sejam submetidos a um comitê da Secretaria de Comunicação Social (Secom).
Ao vetar o kit, Dilma deixou claro o que acredita: a homossexualidade para ela seria uma questão de costume, portanto de prática e de “opção” (sic).
Por que voltei a falar disso?
Porque ontem, mais uma vez, ela usou o termo opção sexual, não falou em homofobia, mas o mais grave, que talvez alguns não percebam é que não há empenho algum em combater a intolerância. Dilma disse:
“Nossa sociedade ainda discrimina o negro, o homossexual, o diferente”
Ela admite que existe a discriminação, mas em nenhum momento se comprometeu em combatê-la, pelo contrário, a presidenta vetou o programa “ Escola Sem Homofobia” e tacou gasolina em milhares de homossexuais que votaram nela. Agora assistimos a queima, se antes matavam um homossexual a cada três dias, no seu governo a taxa subiu.
Nos anos 90 matavam um homossexual a cada 72 horas, a incidência subiu para um a cada 36 horas na década atual, no governo Dilma o nível é alarmante: matam um homossexual a cada 24 horas.
Veja o discurso:







Eu concordo que ela esta muito distante das questões relativas ao Direito Civil dos homosexuais, mas na eleição não tinha ninguém favorável aos gays.
Dilma -- Apesar de ter falado que não apóia o casamento, nunca disse que vetaria a PLC 122, mas apenas nos artigos que impedisse os religiosos de pregarem contra. Também falou que apoiava a União Civil. Mas oq me fez votar nela é que o PT é historicamente um partido mais liberal em csausas sociais e humanitárias além de ter diversos expoentes que lutam para os gays como Marta Suplicy, Jackes Wagner, José Eduardo Cardozo (Ministro da Justiça), Eduardo Sulicy dentre tantos outros… seria mais fácil para pressionar do que o PSDB que tem muito mais conservadores e quase nenhum escudeiro dos homosexuais.
José Serra -- Deu declarações homofóbicas dizendo que iria BARRAR o PLC 122. Fez reunião com líderes evangélicos e foi apoiado pelos maiores homofóbicos vivos no país -- Silas Malafaia e Bolsonaro. É contra o Casamento, mas é a favor da união civil.
Marina Silva -- é evangélica e isso ja basta, se ela ganhasse os evangélicos iam ter um poder quase que absoluto na política pois iriam falar que ela ganhou só porque teve apoio dos mesmos.. os políticos teriam que curvar a essa raça. Foi contra o casamaneto gay, contra a plc 122 e disse que a União Civil deveria passar por um plebicito.
Plínio de Arruda (PSOL) -- O velhinho é sem dúvida o mais progressista, aquele que não se intimida com os evangélicos e nem com os conservadores. Chegou e defendeu abertamente a PLC122, o casamento, a legalização da maconha dentre outras coisas.. o único problema é que é de um partido pequeno que não tem chance, apesar de considerar um partido sério e comprometido com o que defende, sejam eles bons ou ruins.. Eu votei nele no primeiro turno.
Espero que tenhamos nas próximas eleições mais pessoas comprometidas com a causa e mais do que isso que tenhamos juizo de escolher o candidato certo. Acredito que teremos mais sorte nas próximas eleições com candidatos..Os possiveis candidatos tanto do PSDB (Aécio Neves) como do PT (Jacques Wagner, Mercadante, Eduardo Cardozo) são comprometidissimos com a causa gay. Não teria problema nenhum em dizer um belo NÃO aos evangélicos homofóbicos e conservadores. Do lado de lá é que não tem candidato..
HOMOFÓBICA, HIPÓCRITA, OMISSA E MENTIROSA! ESTA É A DILMA!
Dilma se vendeu aos evangelicos! Isso eh fato !
Ao assumir essa posicao ela se torna cumplice de criminosos que cometeram centenas de mortes e ataques aos homossexuais.
Portando nao votem em politicos homofobicos !
Eu votei nesta senhora, não porque acreditava nela, mas porque seu adversário era o Serra; mas ela ME DECEPCIONA ALEM( MUITO ALEM)DO ESPERADO…
EXMA. PRESIDENTE SRA. DILMA
EU GOSTARIA MUITO QUE FOSSE REVISTO O SEU CONCEITO, E, COM RESPEITO A UMA GRANDE POPULAÇÃO DE BRASILEIRO QUE VOTARAM EM V.EXCIA., E, QUE AGORA VÊ EMPERRADO OU ENGASGADO A SITUAÇÃO QUE É DE EXTREMA URGENCIA O RESPEITO E O APARATO LEGISLATIVO NECESSÁRIO, QUANTO A VIOLENCIA QUE OCORRE EXCESSIVAMENTE E VISIVELMENTE EM PUBLICAÇÕES E JORNAIS.
EXCIA., NÃO É OFENSA O RESPEITO E O ANTEPARO DA LEI, A SENHORA GANHARÁ SIM O DESTAQUE INTERNACIONAL SE POSICIONANDO NUMA ATITUDE CONTRARIA A VIOLENCIA, VERBAL-FISICA E/OU.
PRECISAMOS VIRAR TAMBÉM ESSA PÁGINA, HOLOCAUSTO, DISCRIMINAÇÃO RACIAL, RELIGIOSA -- JÁ SÃO CONSTITUÍDAS E AMAPARADAS, PORQUE NÃO O MESMO COM A HOMOFOBIA??? AGUARDAMOS COM TODO RESPEITO ESSA LEI -PCL 122
COM GRANDE APREÇO
ATENCIOSAMENTE,
CELIA REGINA
Com muito positividade, até o final de 2014 ela declara que temos que combater a homofobia, quem sabe em 2018 o próximo presidente diga que é preciso colocar em prática o combate à homofobia.
Marcelo, quando a Dilma falou que a presidência ficaria responsável por avaliar materiais que “versam sobre os costumes”, acredito que, na cabeça conservadora dela, ela se referia aos “costumes e tradições” da nossa sociedade heterossexista, visto que o kit anti-homofobia viria pra fazer uma interferência inicial na “tradição, moral e bons costumes” heteronormativos.