Por Leandro Oliveira.

O pastor homofóbico, e deputado federal nas horas vagas, Marco Feliciano do PSC (Partido Social Cristão), protocolou nesta quinta-feira (27) um pedido de plebiscito para saber se a população é favorável ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. O pedido contou com a assinatura de 186 deputados.

Ah tá! Então quer dizer que para aprovar a ficha limpa, que teve o apoio maciço da população brasileira, é uma eternidade, agora para colher assinaturas para retirar direitos de uma minoria é assim rápido?

É esse o belo Congresso Nacional que temos? Covarde e dissimulado?

Ficha limpa, voto secreto, código florestal, impostos para igrejas. Nada disso é levado ao voto popular. Isso é pura covardia, pra não dizer extremamente antidemocrático. Afinal, que país é esse em que o direito de uma minoria é decidido pelo voto da maioria? Isso não é democracia. Se você faltou ou não frequentou o ensino fundamental e não se recorda mais do conceito da palavra, a gente te dá uma ajudinha:

“A democracia baseia-se nos princípios do governo da maioria associados aos direitos individuais e das minorias. Todas as democracias, embora respeitem a vontade da maioria, protegem escrupulosamente os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias.”

Tá lá! A menos que a bancada evangélica já tenha conseguido até mesmo mudar o significado das palavras, democracia é isso. Aliás, dizer que a maioria deve decidir sobre os direitos das minorias é o contrário da democracia: a tirania.

Colocar valores morais, religiosos e por vezes até pessoais a frente do bem comum é fazer política em causa própria, é reduzir o papel do parlamentar a um mero censor do que é certo e o que é errado, é ignorar que o cargo que ocupa é pago com o dinheiro dos impostos de toda a população e que, por isso, tem a obrigação de garantir os direitos de todos.

Por isso, vale um conselho aos parlamentares brasileiros que apoiaram esta proposta absurda do Marco Feliciano: por que não levam a plebiscitos assuntos que realmente importam à população, como o aumento de 62% no salário dos deputados no final de 2010?

E deixem que cada pessoa tenha o direito de dizer “sim, eu aceito” no seu próprio casamento.