Por Luis Eduardo Melo

Com o espaço ideal para a implementação de uma “salvação divina” (cultura escassa, educação sucateada, pobreza não erradicada), o Brasil ao mesmo tempo em que desponta como uma liderança econômica e científica no cenário mundial,  é um país que esquece seu social, seu povo, sua memória, terceirizando para o domínio religioso o que é de dever do Estado. Bem sabemos que abandonados, ao serem acolhidos, gratos serão aos que acolhem.

Perfeito! Para uma ditadura se consolidar, basta construir uma sociedade injusta com parcial desconhecimento de seu passado, seu presente e um possível futuro, aliada a uma carência social e a uma ideologia anti-Estado e pró-social.

Social  descontente com seu Estado é sociedade viva para o Estado, onde o Social busca ser reconhecido: a religião, as ideologias contra o governo e suas atuais estruturas.

Sociedade, para deixar claro, é o conceito de quem realiza sociedade, ou acordo: termo essencialmente econômico, onde importa quem tem posses, logo poderes, logo são as classes dominantes, logo, são valores conservadores, pois não há tempo para “atualizar o que aprenderam”, além de uma inconsequente vontade de “tradição”.

Social é o que erradamente consideram sociedade: é o povo, a base de todo país, mas que nunca é lembrada após a ascensão ao poder. Sempre à mercê, sempre à manobras politiqueiras, um prato cheio para quem busca poder.

Atualmente, nosso país está reativamente contra os rumos políticos desde que a antiga esquerda assumiu o comando do Estado. E nunca se viu tantas ideologias conjuntas para derrubar o atual regime.

Podemos citar o fascismo de Jair Bolsonaro e a teocracia das frentes evangélicas no legislativo, além de julgamentos imparciais com alto teor religioso de algumas esferas do Judiciário, além do imperativo veto ao kit anti homofobia do Executivo, vindo do mais alto escalão da sociedade, nossa presidenta Dilma Rousseff, que, em paradoxo momento, é o governo da antiga esquerda “minado por dentro” com alianças duvidosas com religiosos e extrema direita.

Os homossexuais não conseguem o direito pleno de um cidadão brasileiro, e a homofobia, crescente no país respaldada pelo discurso ultradireitista e também o discurso religioso, já começa a atingir até heterossexuais, sejam trabalhadores sob a luz do dia, sejam as demonstrações de afeto entre pai e filho.

Por tal, entende-se que é necessária uma urgente separação de Estado e Religião que, como diz o lema positivista “ordem e progresso” (corrente filosófica que desconsidera o valor moral religioso na regência do Estado, sendo esse especificamente técnico-jurídico), resgatando o social e eliminando a “terceirização” religiosa, além de criminalizar os regimes de violência fascistas, que se alimentam de todas as violências sociais como propaganda, principalmente, a homofobia.